Na tarde deste sábado, dia 29 de novembro, o Arcebispo de Évora presidiu à Eucaristia da Peregrinação Nacional da Ordem de Malta à Catedral de Évora, com saída às 16h15 da igreja de Santiago, no contexto da celebração do Jubileu do Ano Santo.
– I Domingo do Advento –
Ano Santo 2025
Homilia aos Cavaleiros da Ordem de Malta
29-XI-2025
- O Evangelho hoje proclamado refere-se à Vinda do Filho do Homem, vinda do Senhor Jesus de que fala o texto do Evangelho por três vezes (24,37.39.44). Bem se entende que a Vinda do Filho do Homem é a Vinda do Senhor Jesus (24,42). Torna-se então claro a necessidade de uma atitude de permanente atenção e vigilância.
- Para avivar esta necessidade de vigilância, Jesus faz-nos ver que ninguém viaja seguro neste comboio dos anos, dos dias e das horas. E clarifica: «dois homens estarão a trabalhar no campo: um será tomado, e o outro deixado» (Mateus 24,40); «e duas mulheres estarão a moer no moinho em casa: uma será tomada, e a outra deixada» (Mateus 24,41). Não é explicada a razão de a situação de uns e de outros ser diferente. Não é sequer dito que a divisão tenha a ver com a maldade de uns e a bondade de outros. Tem então apenas a ver com o Senhor-Que-Vem. Se o Senhor Vem, e é certo que o Senhor Vem, então não podemos deixar-nos embalar e enredar tranquilamente nos habituais afazeres do quotidiano. Sejam eles quais forem. É preciso estarmos vigilantes. E mesmo que comecemos já, neste primeiro Domingo do Advento, a pensar no presépio que vamos fazer, é imperioso que não nos esqueçamos de que a vigilância é o caminho da Cruz: o caminho da doação, e não o caminho da conservação. Uma advertência solene: «Recordai-vos da mulher de Lot. Quem procurar salvar a sua vida, vai perdê-la, e quem a perder, salvá-la-á» (Lucas 17,32-33). Portanto, desde o primeiro Domingo do Advento e do Ano Litúrgico, requer-se o olhar fixo na Cruz, e nada de olhar para trás!
- É assim, sempre vigilantes, amantes e esperantes, sempre à escuta e à espera de alguém, com Amor imenso e intenso, que rasgamos o próprio tempo, que devemos encher todos os nossos instantes, como se fosse a primeira vez, como se fosse a última vez. Tudo no Evangelho é decisivo: cada passo conta, cada gesto conta, cada palavra conta, cada copo de água conta!
- O Advento é princípio de um caminho que nos leva a chegada de Deus a nossa vida. Por isso, “vigilância” significa a opção fundamental por Deus, viver não apenas no tempo cronológico e meteorológico, referenciados pelo quantitativo, mas escolher o tempo de Deus, que em grego kairós, o tempo em que Deus passa, na nossa vida marca sulcos de verdade, liberdade e salvação.
- O tempo de Deus, o kairós é átrio de um tempo novo, de uma experiência nova, habitado, «carregado» de justiça e de bondade. Obra de Deus no nosso mundo. E só d´Ele. Obra terna, tenra e nova, como um «rebento» de um jovem casal ou de uma planta. Sinal de Primavera no meio da invernia e da lama em que por vezes nos vamos atolando, ensonados e enlatados, sem sequer darmos por isso, como quem permanece no mundo imundo. É, portanto, necessário que Deus venha, é mesmo preciso que Ele venha e que nos acorde e nos levante da nossa letargia com novas pautas e novos acordes musicais! E que nos dê nomes novos a nós, às nossas cidades, às nossas escolas, aos nossos hospitais, às nossas ruas. Que nos traga uma Luz nova lá no alto a atrair os nossos olhos embotados. Instrução nova de Deus para todos os povos, armas transformadas em relhas de arado, flores brancas, como as amendoeiras apontando que a primavera está para chegar, pequena nuvem em tempo de estio e seca anunciar a alegria da chuva. Eis o Advento que nos prepara para o Natal. Natal urgente e necessário em tempo de paz frágil, de desumanidades cruéis e cínicas, mas também em tempos de olhares de crianças que choram em apelos de pedidos urgentes: nasce a Paz! Seja Natal! Homens, sedes Homens!
- Caros cavaleiros e excelentíssimas Damas da mui nobre Ordem de Malta, que com a Virgem de Nazaré, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, nas vossas boas obras cotidianas semeeis estrelas de esperança em obras de caridade mais intensas e comprometidas com os mais pobres neste Advento e neste Natal. Que a Senhora da Conceição venerável em Vila Viçosa, nos confirme como Pátria Cristã, repleta de humanismo e sempre fiel aos seus bons hábitos recolhimento, ternura e humanidade.
- Em Advento, sejamos sinal de esperança e referencia em valores cristãos para todos que se cruzam connosco no caminho da vida. Votos de fecundo Advento em Ano Santo 2025, peregrinos de esperança em cavaleiros de hospitalidade.
+ Francisco José Senra Coelho
Arcebispo de Évora
