Bodas de ouro sacerdotais: Cónego Manuel da Silva Ferreira (entrevista)

No Domingo, dia 21 de abril, a Paróquia de São Pedro, a Paróquia da Sé e o Seminário Maior de Évora homenagearam o Cónego Manuel da Silva Ferreira, por ocasião das suas Bodas de Ouro Sacerdotais.
Por ocasião do jubileu sacerdotal, Ser Igreja Évora entrevistou o cón. Manuel da Silva Ferreira, que partilha o seu testemunho:
Pode contar-nos de forma breve, a sua história vocacional?
Entrei no Seminário de S. José de Vila Viçosa, em setembro de 1961, com 11 anos de idade, na peugada de dois primos sacerdotes que trabalhavam na Diocese de Évora o P. José Maria Dias e o P. Filipe Figueiredo. Naturalmente, com o crescimento aconteceu o discernimento vocacional por volta dos 18 anos, quando fiz, com outros colegas a descoberta de que o Evangelho era verdadeiro e a convicção profunda que valia a pena entregar a vida a Deus e se fosse fiel seria uma pessoa feliz e realizada e assim aconteceu!!!

Antes da ordenação sacerdotal, vivi em Frascati-Roma uma experiência com sacerdotes e seminaristas de todo o mundo que consolidou e muito o discernimento feito nos anos de Seminário.

Quais as principais atividades que desenvolveu ao longo destes 50 anos?

D. David de Sousa ordenou-me presbítero a 21 de abril de 1974 e 2 dias depois estava já em Viana do Alentejo a acolher o 25 de abril – a revolução dos cravos – como Pároco de S. Bartolomeu do Outeiro e coadjutor de Viana e de Aguiar.

No verão de 1975, com 2 colegas, assumi a Paróquia do Couço e mais 4 paróquias rurais. Um desafio grande em tempos conturbados, mas que permitiu um grande amadurecimento pessoal e o fortalecimento da comunhão presbiteral com uma equipa que comungava, desde os tempos de Seminário, a mesma espiritualidade da unidade ligada ao movimento dos Focolares.

Depois seguiu-se, com a mesma equipa, o Seminário de S. José, em Vila Viçosa, por 4 anos, sendo também professor de Educação Moral e Religiosa na Escola Preparatória e Secundária e no Seminário Maior de Évora durante 7 anos, acompanhando os alunos do Curso Complementar, como prefeito e professor.

Nestes anos assumi a disciplina de Educação Moral e Religiosa na Escola do Magistério Primário e Educadoras de Infância e abracei a colaboração com o Bairro de Almeirim onde, com grande envolvimento dos moradores e de muitos amigos, foi possível fazer crescer o pequeno complexo do Centro Social de S. João de Deus.

Seguiram-se 5 anos nas Paróquias de Azaruja, Évora-Monte, S. Miguel de Machede, Vale de Pereiro, onde se construiu uma pequena Igreja e depois também Vimieiro, Casa Branca e Cano com a colaboração de outro sacerdote.

Em Elvas, nas Paróquias da Sé, Alcáçova durante 2 anos e depois em Santa Luzia com o desafio de construir a Igreja paroquial e o Museu do Cabido, que aconteceu quando tinha já assumido, em 1996, funções na Equipa sacerdotal do Seminário Maior de Évora com os Padres Operários Diocesanos, onde ainda me encontro.

Até 2020 fui professor de Direito Canónico no ISTE. Durante a permanência em Elvas, fiz licenciatura em Direito Canónico, na Universidade Pontifícia de Salamanca. De 2ª a 6ª feira  era aluno e ao fim de semana pároco. Quem apenas frequentava a missa dominical quando ia à Igreja sempre encontrava o Pároco.

Em setembro de 2001, fui nomeado Pároco de S. Pedro em Évora e de Guadalupe. Posteriormente troquei Guadalupe pela Torre dos Coelheiros.

Por ocasião de impedimento por doença de alguns colegas acumulei as paróquias de Lavre, Foros de Vale de Figueira, Cortiçadas de Lavre e Santana do Mato; o mesmo aconteceu com as Paróquias de Arraiolos e de Santana.

As circunstâncias levaram-me a dedicar tempo e energias a fazer obras de requalificação no Seminário de Évora, na Igreja de S. Francisco e na Igreja do Espírito Santo e em outras capelas e igrejas que me estavam confiadas. Nunca gostei de deixar o património edificado ao abandono. Aprendi isso quando em adolescente passava férias em Vendas Novas com o meu primo sacerdote que sempre foi um homem muito empreendedor e também com o P. Filipe outro homem de horizontes largos… aprendi quando ainda não tinha consciência que estava a aprender!!!

Ao cumprir 50 anos de ordenação, que balanço faz?

Só posso fazer o seguinte:  Deus não chama os mais capazes, mas capacita os que chama. A Sua Misericórdia para comigo foi infinita e na vida sempre encontrei colegas e muitas pessoas tecnicamente preparadas que me ajudaram a abraçar as causas que a Igreja me confiava. Sempre vivi em equipa e sempre gostei de trabalhar em equipa, hoje diz-se sinodalmente.
Que votos faz para o futuro?
Viver o momento presente… sem fazer projetos… aliás,
nunca soube fazer projetos (…) apenas aprendi a estar atento à realidade e a ler os sinais dos tempos, como nos ensinou o Concílio Vaticano II!!!
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