No dia 25 de Dezembro, o Arcebispo de Évora celebrou a Missa do Dia de Natal em Vila Viçosa, no antigo Convento dos Agostinhos, hoje Seminário de S. José, Centro Pastoral e Casa Sacerdotal, convidando os fiéis a juntarem-se aos Sacerdotes mais idosos, quase todos já dispensados das lides pastorais, e à comunidade missionária “Sementes do Verbo”, responsável pela Casa Sacerdotal e Centro Pastoral Arquidiocesano, ali sedeado.
Ao longo da homília, o Arcebispo de Évora valorizou a perícope do Prologo de S. João, “O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem”.
Referindo-se à primordial antítese luz-trevas, dia-noite, o Prelado, olhando para o mundo e para a nossa sociedade portuguesa, alertou para as imensas porções de opacidade, que ao gerarem ambientes baços impedem aí o brilho da Luz da justiça, da paz e da humanização, criando-se autênticos corredores de desumanidade. Parece que se joga a tentativa do apagão da cultura participativa e democrática, para se impor de novo o flagelo das autocracias.
A Luz de Cristo, a Luz do Natal, exige de nós cristãos, compromissos de cidadania que impliquem a promoção da liberdade pela defesa dos Direitos Humanos, o compromisso com a promoção integral da pessoa humana e a defesa da integração bem cuidada, de todos os que necessitamos que nos venham ajudar a construir a sociedade no seu dia a dia, os migrantes. Realidades sentidas com permanência no interior do país, onde o despovoamento constante e muitas vezes crescente, exige inevitavelmente a mão de obra de homens e mulheres migrantes, chegados até nós, provindos de todo o mundo. Também nesta realidade se experimenta que de facto, o mundo atual é uma aldeia global.
O Arcebispo alentejano agradeceu aos concelebrantes, residentes na Casa Sacerdotal, o notável testemunho das suas vidas em prol da evangelização e, por isso, mesmo da promoção integral da pessoa humana, quer no ensino, pois no passado, vários párocos, perante a inexistência de escolas públicas, iniciaram com muito sucesso, escolas paroquiais, e mais recentemente, a fundação de cerca de três dezenas de centros sociais paroquiais, em localidades onde faltavam lares, centros dia, cuidados continuados e serviço de apoio domiciliário para idosos, bem como creches e jardins de infância para crianças.
De facto, o Natal pede-nos compromisso pela humanização da sociedade e a rutura com a apatia da desistência social.
