Comunidade Canção Nova de Évora em festa com a ordenação de três diáconos na Catedral de Évora na Solenidade da Imaculada Conceição. “O testemunho de vida e o encontro pessoal farão sempre a diferença na evangelização. Sois a nova geração Canção Nova. Não tenhais medo do desafio, levai longe o vosso testemunho de vida” – Arcebispo de Évora (com transmissão)

O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, presidiu à ordenação de três diáconos, Rafael Morais, Éder Ferreira e Tássio Lima, seminaristas da Comunidade Canção Nova, na tarde deste dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição,  na Sé, na Eucaristia concelebrada por D. José Alves, Arcebispo de Évora Emérito, e por vários sacerdotes diocesanos e da Comunidade Canção Nova. A celebração foi animada liturgicamente pelo Coro Stella Matutina e contou com a presença de familiares dos ordenados, de muitos fiéis e de muitos membros da Comunidade Canção Nova.

À homilia, o Arcebispo de Évora começou por saudar todos os presentes assim como todos os que acompanharam a celebração pelo Sistema de Comunicação Canção Nova.

“É com alegria, em Ano Santo que celebramos hoje a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, que acontece no contexto do Advento, um tempo de espera, no qual Deus cumprirá o que prometeu, pois é sempre fiel”, começou por dizer o Prelado.

“A festa litúrgica da Imaculada Conceição de Maria justapõe habilmente dois diálogos, que nos ajudam a tomar consciência de duas possibilidades opostas, mas às vezes coexistentes, na vida humana: o diálogo entre Deus e o primeiro homem “Adão”, marcado pelo drama da rejeição, e o diálogo entre o Anjo e uma jovem, Maria, no horizonte de uma jornada repleta de novidade e realização, num sim pleno”, referiu.

“À questão que Deus dirige ao primeiro homem: «Onde estás?», pergunta que atravessa toda a história humana e que ressoa sempre no coração de cada um de nós, Maria responde: «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.»”, explicou.

“O tempo do Advento é assim iluminado  pela presença humilde e forte de Maria, uma presença que nos lembra que o Advento é de facto um tempo de espera, de vigilância, de esperança, mas ao mesmo tempo é apresenta-se no concreto de vida, um tempo de exige decisões por Deus, decisões sobre a sua Palavra. Afinal, a conversão e a metanóia”, sublinhou, acrescentando que “o Advento é um tempo de confiança em que, ao dizermos o nosso sim, descobrimos sempre que o amor de Deus é primeiro e ilimitado”.

O Prelado recordou que “há sessenta anos, no dia 8 de dezembro de 1965, na Praça de S. Pedro o Papa S. Paulo VI concluía solenemente o Concílio Vaticano II. Nas Palavras de Bento XVI, essa data que «remete para a imagem da Virgem à escuta que vive da Palavra de Deus, que conserva no seu coração as palavras que lhe vêm de Deus e, reunindo-as como um mosaico, aprende a compreendê-las (Cf Lc 2, 19.51); remete-nos para a grande Crente que, repleta de confiança, se coloca nas mãos de Deus, abandonando-se à Sua vontade; remete-nos para a Mãe humilde que quando a missão do Filho o exige, se põe de lado e, ao mesmo tempo para a mulher corajosa que, enquanto os discípulos fogem, permanece aos pés da cruz.»

“O Concílio Vaticano II declarou “Mariam Sanctíssimam declaramos Matrem Ecclesiae” “declaramos Maria Santíssima Mãe da Igreja”, sublinhou.

“Caros Rafael Morais, Éder Ferreira e Tássio Lima, o concílio interpela todos os cristão a assumirem um gesto de serviço no faça-se de Maria. Na peugada de Cristo, que veio para servir e não ser servido e inspirados no exemplo de Maria, a Igreja é chamada a servir”, apelou o Prelado.

“Por isso, caríssimos, a diaconia é muito mais do que um mero serviço, «ela é o local onde se experimenta a presença de Deus como Salvador e Redentor, tal como se tornou manifesta a presença de  Deus através do ato salvífico de Jesus. Todo ele um serviço, uma diaconia. Por isso mesmo, a atividade diaconal faz sempre parte do mandato missionário da Igreja»”, assinalou.

“Percorrido este caminho, estamos em condições de dizer que diaconia em termos etimológicos configura a Igreja na pessoa de Jesus Cristo, ou seja, a  Igreja é diaconia e a diaconia é Igreja”, explicou, acrescentando “uma Igreja para servir, curando as feridas de nossos irmãos e deste modo aproximar a humanidade da realidade divina que se diz no Reino de  Deus que se quer instalar no nosso coração”.

“Uma Igreja universal como sacramento de Cristo.  Sacramento manifesto em Cristo Servo, pelo ministério diaconal, junto dos mais necessitados”, apontou, sublinhando que “o diácono, de um modo estrito, é convocado a participar pelo ministério ordenado, na ação evangélica da Igreja, em suas três diaconias: Palavra, Liturgia e Caridade”.

“Esta é a Igreja de Jesus, a Igreja dos pobres, pela qual Ele solicitamente cuida e dota de dons. Dons diversos para que, na diversidade, ninguém fique excluído e, assim, possamos usar de misericórdia para com os irmãos. Uma misericórdia samaritana, sob um olhar compassivo e amoroso”, disse.

“A diaconia configura-se no magistério da Igreja pela transfiguração de Jesus Cristo no sacramento da ordem na sua tripla diaconia: Palavra, Liturgia e Caridade. Magistério que Inácio de Antioquia nos exorta a seguir na concórdia de Deus: «por isso vos peço que estejais dispostos a fazer todas as coisas na concórdia de Deus, sob a presidência do bispo, que ocupa  o lugar de Deus, dos presbíteros, que representam o colégio dos Apóstolos, e dos diáconos, que são muito caros para mim, aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo. (…) uni-vos ao bispo e aos chefes como sinal e ensinamento de incorruptibilidade». Estes apelos de Inácio de Antioquia conduzem-nos a uma equação sempre presente no serviço que se diz: no dever e obediência pela fé em Jesus Cristo”, sublinhou.

“Estimados Rafael Morais, Eder Ferreira e Tássio Lima, Monsenhor Jonas Abib foi precisamente ordenado no dia 8 de dezembro de 1964”, recordou o Prelado, sublinhando a vida marcante do fundador da Comunidade Canção Nova. “A sua voz transformou-se numa canção nova que nos leva à santidade de Cristo”, sublinhou.

“Estimados Rafael Morais, Eder Ferreira e Tássio Lima tendes no exemplo do vosso fundador um caminho a percorrer para concretizar o carisma fundacional da Comunidade Canção Nova para os novos tempos, na inculturação dos vários continentes, incluindo a Europa, onde sois chamados a servir. Estou certo que o legado de Monsenhor continuará a guiar e a evangelizar milhares de pessoas em todo o mundo”, apontou.

“O testemunho de vida e o encontro pessoal farão sempre a diferença na evangelização. Sois a nova geração Canção Nova, e levareis o seu carisma ao longo deste século. Não tenhais medo do desafio, levai longe o vosso testemunho de vida. Que os meios que usais sejam apenas o prolongamento da experiência de Deus vivida presencialmente”, apelou.

“Na providência de Deus confiai, que seja o Espírito Santo a conduzir a Canção Nova nos tempos que vivemos”, apontou.

“Que o sim de Maria vos inspire e seja sempre o vosso conforto. Confiai, Maria a esposa do Espírito Santo, será para vós exemplo de serviço”, concluiu o Arcebispo de Évora.

Depois da homilia, aconteceram os ritos das Ordenações diaconais, com os candidatos a fazerem a promessa, respondendo a sete questões sobre a consagração ao serviço da Igreja, sobre a humildade e serviço dedicado ao povo e ao presbitério, guardar e anunciar o Evangelho, guardar o celibato, a promessa sobre a oração, a promessa de ser imitador de Cristo e a promessa de obediência.

Seguiu-se a prostração dos candidatos, com o cântico das ladainhas, a imposição das mãos e a oração de ordenação do Arcebispo de Évora.

Depois o Rafael Morais, o Eder Ferreira e o Tássio Lima receberam a estola e a dalmática de Diácono. Por fim, receberam o Evangelho e o Ósculo da Paz do Arcebispo de Évora e dos diáconos presentes.

Os diáconos começaram logo a exercer o seu ministério de serviço ao altar na Liturgia Eucarística que se seguiu.

Antes da bênção final, o Arcebispo de Évora consagrou a Arquidiocese à Padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

No final da celebração os novos diáconos agradeceram a todos os que contribuíram para a sua vocação e pediram orações para que sejam fiéis ao ministério agora recebido.

Os neo diáconos Rafael Morais, Tassio Oliveira e Eder Ferreira colaboraram nas paróquias de Guadalupe, Valverde, Nossa Senhora da Boa-Fé e São Sebastião da Giesteira. Além disso, os três tiveram também uma participação importante no grupo de oração semanal na paróquia de São Brás. Até à ordenação sacerdotal concluirão os estudos no Instituto Superior de Teologia de Évora.

Naturais do Brasil, Rafael Morais, Tassio Oliveira e Eder Ferreira pertencem à comunidade Canção Nova, presente em Portugal, nomeadamente em Fátima há 27 anos e em Évora há 6.

Texto de Pedro Miguel Conceição

 

 

 

 

 

Foto: Comunidade Canção Nova Évora


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Na manhã dodia 1 de dezembro, em Vila Viçosa, o Arcebispo de Évora presidiu à Eucaristia na qual os futuros diáconos da Comunidade Canção Nova de Évora fizeram as suas promessas em preparação para a ordenação diaconal que acontecerá dia 08/12 na Sé de Évora, às 17h.

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