O Arcebispo de Évora afirmou que a Igreja Católica está a apostar na programação própria para a Capital Europeia da Cultura.
“O que é o património de Évora, se lhe tirarmos a Sé, se lhe tirarmos São Francisco, se lhe tirarmos o Espírito Santo?”, questionou D. Francisco Senra Coelho, em declarações à Agência ECCLESIA.
Falando em Albufeira, à margem das jornadas do clero do Sul, o responsável explicou que a arquidiocese quer inspirar-se na dinâmica do “Vagar”, tema central da Capital Europeia da Cultura 2027.
“Não há saber que não leve ao sabor. E também não há saber sem experimentar o sabor da vida. Por isso é preciso, de facto, parar, refletir”, sublinhou.
O projeto “Évora Sacra”, coordenado pelo cónego Mário Tavares de Oliveira, inclui a criação de um roteiro digital que permitirá aos visitantes, através do telemóvel, conhecer a história de cada altar e imagem das igrejas da cidade.
D. Francisco Senra Coelho destacou ainda a preparação de uma “obra monumental” sobre a Catedral de Évora, um livro de cariz científico que preencherá uma lacuna na história do monumento.
Sobre a Catedral eborense em declarações ao jornal “a defesa”, o Prelado eborense sublinhou que “não posso deixar de alertar para a urgente necessidade de intervenção na conservação e manutenção da Sé, enquanto monumento nacional”.
“Há mais de 20 anos que não há uma intervenção de fundo por parte das entidades competentes na conservação e preservação deste património. Parece óbvio que na circunstância da Capital Europeia da Cultura é urgente uma convergência de esforços no acompanhamento deste tão importante monumento da cidade museu”, apelou.
Ainda no âmbito da Sé, que possui “dois órgãos”, incluindo um exemplar único do século XVI, de estilo renascentista, será uma das ofertas culturais aos visitantes, a par da valorização dos espaços de arte sacra da cidade, apontou D. Francisco Senra Coelho nas declarações à Agência ECCLESIA.
O arcebispo realçou a valorização da Cartuxa e da obra do pintor Frei Miguel, figuras ligadas à contemplação e ao “vagar”.
A programação aposta também na música e na descentralização, com concertos em santuários e igrejas de toda a arquidiocese, não se limitando à cidade, e culminará com a atuação da Orquestra e Coro Gulbenkian.
A proposta da Arquidiocese de Évora estrutura-se em volta de 14 eixos centrais, que destacam a espiritualidade, o património religioso e a interioridade, promovendo momentos de reflexão, contemplação e diálogo entre fé e cultura.
