Na homilia o Arcebispo de Évora começou por referir a oportunidade que significava o Tempo da Quaresma para cada um dos discípulos de Cristo. Como os Quarenta Anos do Povo Bíblico no deserto ou os Quarenta Dias de silêncio e oração de Jesus Cristo, na Sua preparação para a vida pública, também a nós nos é proporcionado pelo Misericórdia de Deus um Tempo Favorável, “Kairós”, para descermos da superficialidade da epiderme da vida à profundidade da interioridade do encontro connosco mesmos, ali onde somos consciência e encontro com a Luz em que nos vemos em Deus.
D. Francisco Senra Coelho frisou a importância libertadora desse encontro é que se trata de um Dom de Deus, que ao amar-nos primeiro nos gratifica com esta experiência de verdade. Trata-se do primeiro momento da nossa conversão, vermo-nos na verdade de Deus e percorrermos na liberdade o caminho de encontro com Ele. Como nos lembra na sua mensagem o Papa Leão XIV, é este o sentido da Quaresma, centrarmos de novo a nossa vida em Deus, não permitindo que as pequenas urgências do quotidiano nos descentrem do encontro primordial da vida que deve acontecer com Deus. Por isso, a Quaresma é um Tempo mais de Deus e para Deus para nos tornarmos mais para os outros.
O Arcebispo de Évora, concluiu a sua homilia, sugerindo como caminho quaresmal de conversão e penitência, aplicar ao concreto da Igreja eborense, o apelo ao jejum de palavras, sugerido pelo Santo Padre; afinal desarmar as palavras, colocar afecto nas palavras, não agredir com palavras ou por meias palavras, não semear palavras de desunião, mas de apreço e unidade.
D. Francisco exortou para que os discípulos de Jesus sigam Aquele que é a Palavra do Pai e que foi fidelidade à Palavra do Pai, até à Cruz. Em tempos sofisticados e programados de mentiras; de inflação, distorção e manipulação da palavra, os Cristãos são chamados a salvar a verdade e credibilidade da palavra através da coerência palavra-vida. Um programa de revisão de vida para a Quaresma 2026!
