Zeferino Gimenez Malla nasceu em 26 de Agosto de 1861, na região da Catalunha, Espanha.
Filho de Ciganos pobres, muito cedo precisou de fazer e vender cestos de vime para ajudar no sustento da casa. Não teve condições de ir à Escola.
Aos 20 anos, mudou-se para Barbastro. Aí casou, segundo a sua tradição, com uma jovem Cigana: Teresa Gimenez Castro. Tendo verificado que não podiam ter filhos adotaram Pepita, sobrinha de Teresa, e educaram-na no Amor e na Fé cristã.
Analfabeto e sem profissão fixa, Zeferino ganhava a vida como negociante de mulas e cavalos. O seu cuidado, atenção e carinho para com um homem que passava por uma situação especial de sofrimento e/ou exclusão proporcionou-lhe, inesperadamente, uma mudança de vida, passando a ter um negócio seguro e a dispor de mais recursos económicos e financeiros.
Excelente Catequista, apesar de analfabeto, com uma capacidade especial para comunicar a Palavra de Deus, Vicentino, grande devoto de Nossa Senhora, deu a vida ao tentar libertar um condenado, com o terço na mão e gritando: “Viva Cristo Rei”, no dia 9 de Agosto de 1937. Foi beatificado pelo Papa S. João Paulo II a 4 de Maio de 1997.
Tendo como centro a vida e o testemunho deste grande Cristão, vários Núcleos da Pastoral Arquidiocesana dos Ciganos (Portel, Estremoz, Monforte e Évora) reuniram-se, na tarde do passado dia 3 de Maio, na Casa de São José Operário, em Évora, gentilmente cedida para o efeito.
Aí, com a colaboração das Famílias Ciganas presentes, pudemos compreender melhor e aprofundar os traços da experiência de vida deste grande homem. Como nos desafia a deitar abaixo muros, a criar uma cultura inclusiva, onde o essencial é o respeito pela pessoa, o cuidar de quem nos precisa, o reconhecer que cada outro e cada outra é um irmão e uma irmã. O seu zelo apostólico impeliu-o a aproximar-se de quem “tossia sangue e sofrimento” e, na solidão, desfalecia. Como Bom Samaritano não deitou contas nem mediu consequências, mas conseguiu colaborar na salvação de um ser humano.
Entre Ciganos e não Ciganos construiu pontes e deixa-nos o grande apelo de continuar hoje, na nossa Arquidiocese, a sua Missão.
