A tradição de Évora leva anualmente o Arcebispo eborense a celebrar a Missa da Noite ou do Galo numa das oito igrejas paroquiais da Cidade Museu. Assim, este ano, D. Francisco Senra Coelho presidiu à Missa da Noite de Natal na igreja de S. Brás, um exemplar típico do mudéjar manuelino alentejano e ao serviço do culto desde 1490; hoje, sede de uma paróquia com mais de dez mil habitantes e com o mesmo orago de S. Brás.
O Prelado, na homilia, referiu-se à centralidade de Cristo no presépio apresentado pelo evangelista S. Lucas, “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura.”
Segundo o Arcebispo de Évora, jamais alguém poderia imaginar que as promessas do Messias se concretizassem deste modo tão singelo e despojado. Ou seja, o encontro de Deus com a Humanidade a partir da mais humilde periferia humana como eram os pastores de Belém.
Daqui se percebe, que Deus quer estar ao alcance de todos os seres humanos. Ou seja, todos estamos à altura de Deus e somos capazes de estabelecer encontro e relação com o Salvador prometido. Ninguém é incapaz ou fica excluído. Percebemos assim, no sinal de Belém, que todos estamos no coração de Deus, que Ele é a nossa casa e para isso se fez Homem e veio compartilhar connosco a Sua vida e a nossa vida, por isso importa que sejamos também Sua casa, onde Ele habite, na certeza que onde Ele habita, com Ele habitam todos os humanos, todos os irmãos. Por isso, quem se abre a Cristo, abre-se em fraterna comunhão e compaixão a todos os semelhantes, fazendo-se irmão de todos.
A recusa de Cristo tem mostrado e coincidido, frequentemente, com atitudes autocêntricas, concentradas em si próprios e fechadas aos outros e, por isso, indiferentes, alheadas, omissas e desumanas. Tantas propostas antropológicas ateias, terminaram em terríveis desumanidades…
O responsável pela Arquidiocese alentejana, concluiu com a exortação do Anjo aos pastores de Belém, “Não temais”, para exortar a comunidade a continuar a experiência de peregrinos de Esperança e a refletirem a Luz do Natal, que levam nos seus corações, nos ambientes concretos do seu quotidiano.
Que todos possam dizer de cada Cristão: É alguém empenhado e com quem se pode contar para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
