D. Francisco Senra Coelho quer “entregar as chaves” das comunidades às novas gerações

http://adefesa.orgNovo ciclo pastoral da Arquidiocese de Évora aposta na formação, renovação dos agentes pastorais e maior corresponsabilidade dos leigos.

“Precisamos de entregar as chaves da confiança, as chaves da doação, as chaves da comunidade a corações abertos.” É com esta imagem que D. Francisco Senra Coelho sintetiza o grande desafio que está no centro do novo ciclo pastoral da Arquidiocese de Évora: preparar novas gerações para assumir responsabilidades e garantir a renovação da vida das comunidades cristãs.

A reflexão do Arcebispo de Évora é apresentada, em exclusivo, numa entrevista ao jornal a defesa, na edição que agora dá a conhecer as principais linhas do novo percurso pastoral da Arquidiocese, que se inicia em 2026-2027 e se desenvolverá ao longo de três anos.

Sob o tema “Comunidade Cristã: Fidelidade e Renovação”, o novo ciclo pastoral coloca a formação e a renovação dos agentes pastorais entre as suas prioridades. A proposta parte de uma realidade concreta: o envelhecimento e o cansaço de muitos dos homens e mulheres que, durante anos, têm assegurado o serviço às comunidades.

“Precisamos de renovar os agentes da pastoral em todos os sentidos das nossas paróquias”, afirma D. Francisco Senra Coelho, reconhecendo, ao mesmo tempo, a generosidade daqueles que têm colocado ao serviço da Igreja o seu tempo, os seus talentos e os seus recursos.

Para o Arcebispo, a renovação não significa substituir ou desvalorizar quem já serve. Pelo contrário, implica reconhecer o caminho realizado e criar condições para que esse serviço possa ser transmitido a novas gerações.

“Temos gente maravilhosa, doada, que o seu voluntariado dá a sua vida, o seu tempo e também o seu dinheiro”, sublinha, acrescentando que muitos destes agentes “estão cansados porque os anos vão passando”.

Formação para renovar a vida das comunidades

É neste contexto que a Arquidiocese de Évora inicia um percurso formativo de três anos, pensado para responder às necessidades concretas das comunidades e preparar novos agentes pastorais.

O primeiro ano, 2026-2027, terá um carácter geral e procurará proporcionar uma formação de base a todos os que participam na vida das comunidades. Entre as áreas prioritárias estarão a liturgia, a dimensão social e caritativa e a dimensão profética, integradas numa visão global da vida comunitária.

“Que estejamos afinal numa formação sinodal, todos em aprendizagem, à volta de uma mesa”

A formação deverá acontecer, tanto quanto possível, próxima das comunidades, podendo ser dinamizada nas paróquias, em unidades paroquiais ou nas vigararias, com o apoio de uma equipa diocesana responsável pela preparação e disponibilização de temas e materiais.

Mais do que reproduzir um modelo tradicional de formação, D. Francisco Senra Coelho pretende promover uma verdadeira experiência sinodal.

“Que estejamos afinal numa formação sinodal, todos em aprendizagem, à volta de uma mesa”, deseja o Arcebispo, defendendo uma dinâmica de diálogo, partilha e aprendizagem conjunta.

No segundo ano, 2027-2028, o percurso deverá avançar para uma formação mais específica, nas áreas da catequese, liturgia e pastoral sociocaritativa e profética, incluindo experiências práticas, visitas, workshops e contacto com diferentes modelos pastorais.

Um caminho para os ministérios laicais

O terceiro ano, 2028-2029, poderá representar um passo particularmente significativo na valorização da missão dos leigos.

D. Francisco Senra Coelho admite que, se as condições pastorais o justificarem, a Arquidiocese possa preparar a eventual instituição dos três ministérios laicais reconhecidos pela Igreja: catequistas, leitores e acólitos.

O processo, contudo, deverá nascer da realidade das próprias comunidades e não de uma imposição.

“Querendo Deus, queira Deus que sim, mas é um sim condicionado à realidade, sem ser forçado”, esclarece o Arcebispo.

A intenção é que estes ministérios sejam assumidos por pessoas em quem as comunidades reconheçam verdadeiros carismas e vocações para esse serviço.

A par dos ministérios instituídos, poderá também ser equacionado um serviço diocesano ligado à dimensão da caridade, envolvendo áreas como a Pastoral da Saúde, a Cáritas e o acompanhamento dos mais frágeis, doentes e carenciados.

“Entregar as chaves” às novas gerações

A renovação dos agentes pastorais é, assim, mais do que uma resposta à falta de colaboradores em algumas áreas. É uma opção pastoral para o futuro da Arquidiocese.

Catequese, liturgia, música, acolhimento, acolitado, leitores, salmistas, sacristia, gestão económica, património e acompanhamento dos mais frágeis são alguns dos setores onde se sente a necessidade de novos servidores.

Mas D. Francisco Senra Coelho coloca esta preocupação num horizonte mais amplo: é preciso envolver, formar e acompanhar os jovens e as novas gerações para que possam assumir a Igreja como sua casa e o serviço à comunidade como uma verdadeira vocação.

É neste horizonte que ganha particular força a expressão escolhida pelo Arcebispo para definir este novo ciclo pastoral:

“Precisamos de entregar as chaves da confiança, as chaves da doação, as chaves da comunidade a corações abertos.”

A Arquidiocese de Évora inicia, assim, um percurso que pretende conjugar fidelidade à história e renovação, valorizando o muito que foi construído pelas gerações anteriores e, simultaneamente, criando espaço para novos rostos, novos carismas e novas formas de serviço.

As linhas deste novo ciclo pastoral e as palavras do Arcebispo de Évora são apresentadas em entrevista exclusiva ao jornal a defesa, que desenvolve esta reflexão e dá a conhecer, em primeira mão, os principais desafios e objetivos para os próximos três anos.

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