Igreja refletiu sobre Inteligência Artificial e evangelização nas Jornadas Pastorais do Episcopado

Encontro em Fátima, onde esteve o Arcebispo de Évora, debateu desafios éticos, antropológicos e pastorais da nova revolução tecnológica

As Jornadas Pastorais do Episcopado 2026 reuniram, nos dias 15 e 16 de junho, em Fátima, bispos, entre eles D. Francisco Senra Coelho,  e responsáveis eclesiais de todo o país para uma reflexão aprofundada sobre o tema “Anúncio da Fé na Nova Revolução Tecnológica (IA) e na Nova Cultura”. Ao longo de dois dias de trabalho, os participantes procuraram analisar o impacto crescente da Inteligência Artificial na sociedade, na cultura contemporânea e na missão evangelizadora da Igreja.

Os trabalhos decorreram no Centro Pastoral Paulo VI e tiveram início com duas conferências de Monsenhor Renzo Pegoraro, presidente da Pontifícia Academia para a Vida. Sob o título “IA: a nova Caixa de Pandora?”, o responsável abordou as oportunidades e os riscos associados às novas tecnologias, refletindo sobre as suas implicações éticas e humanas. Numa segunda intervenção, centrou-se nos desafios e oportunidades que a Inteligência Artificial coloca ao anúncio do Evangelho, numa época marcada por profundas transformações culturais e comunicacionais.

O segundo dia foi dedicado sobretudo às questões da comunicação digital e da espiritualidade. Juan Narbona, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, apresentou estratégias digitais para instituições eclesiais e realidades religiosas, analisando novas formas de comunicar a fé no ambiente digital. O especialista dedicou ainda uma sessão específica à presença dos sacerdotes nas redes sociais, partilhando orientações práticas para uma utilização equilibrada e eficaz destas plataformas.

A relação entre Inteligência Artificial e vida espiritual esteve também em destaque nas intervenções de Eugénia Abrantes, dedicada ao tema “IA e Espiritualidade”, e de Octávio Carmo, da Agência Ecclesia, que abordou as potencialidades e desafios do recurso à IA em contextos de formação e trabalho pastoral.

As jornadas culminaram com uma reflexão de João Manuel Duque, da Universidade Católica Portuguesa, sobre a fundamentação antropológica e os desafios teológicos da Inteligência Artificial, à luz da carta encíclica Magnifica Humanitas, documento que tem servido de referência para o debate eclesial sobre as novas tecnologias e a dignidade humana.

Ao longo das sessões tornou-se evidente que a Inteligência Artificial representa um dos grandes desafios do tempo presente, exigindo da Igreja uma reflexão séria sobre as suas implicações éticas, culturais e pastorais. Sem ignorar as potencialidades que estas ferramentas oferecem para a comunicação, a formação e a evangelização, os participantes sublinharam a importância de colocar sempre a pessoa humana no centro, promovendo uma utilização responsável da tecnologia ao serviço do bem comum.

As Jornadas Pastorais do Episcopado terminaram com um renovado apelo ao discernimento e ao diálogo entre fé, cultura e inovação tecnológica, num contexto em que as rápidas transformações digitais continuam a interpelar a missão da Igreja no mundo contemporâneo.

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ARQUIDIOCESE DE ÉVORA