Eucaristia do Dia de Fiéis Defuntos celebrada por alma dos dois últimos Arcebispos de Évora falecidos – D. David de Sousa e D. Maurílio de Gouveia – e por alma de todos os defuntos eborenses (atualizada com homilia)

Neste domingo, dia 2 de novembro, pelas 19h15, na Igreja do Espírito Santo – Panteão dos Arcebispos de Évora, D. Francisco Senra Coelho presidiu à Eucaristia do Dia de Fiéis Defuntos por alma dos dois últimos Arcebispos de Évora falecidos D. David de Sousa e D. Maurílio de Gouveia e por alma de todos os defuntos eborenses, sobretudo por aqueles que não têm quem por eles reze. A Eucaristia foi concelebrada por três sacerdotes jesuítas e marcou também início da Semana de Oração pelos Seminários na Arquidiocese de Évora.

À homilia, o Prelado eborense começou por explicar que “a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos é um dia de silêncio, de memória e de uma profunda saudade. Os nossos corações voltam-se para os rostos, as vozes e os abraços daqueles que amamos e que já partiram”.

“A liturgia de hoje não nos pede para ignorar o peso dessa ausência. Pelo contrário, acolhe a nossa dor e, com delicadeza, ilumina-a com a luz da esperança cristã, transformando o luto numa vigília de expectativa”, acrescentou perante a enorme assembleia que lotava a Igreja do Espírito Santo.
“Nenhuma outra figura bíblica encarna o sofrimento humano como Job. Despojado de tudo, com o corpo coberto de chagas e o coração em pedaços, ele representa a Humanidade nas suas mais dolorosas experiências. E é precisamente desse profundo abismo de dor que ressoa a mais intensa profissão de fé de toda a Escritura: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”, afirmou o Prelado.
“A esperança de Job não é uma ideia. É uma certeza vivida na primeira pessoa: “Eu próprio O verei, meus olhos o hão de contemplar”. Ele anseia por um encontro real, onde a justiça e o amor de Deus restaurarão a sua carne ferida”, referiu, acrescentando que “o grito de Job é o grito de todo o homem que se depara com o corpo sem vida de um ente querido, a fé ousa proclamar que aquela pessoa, na sua identidade única e intransferível, verá a Deus”.
“É, confiados nesta promessa que nos mantemos firmes na oração por eles”, afiançou.
“Se Job nos dá o grito da fé, Paulo, na sua carta aos Coríntios, oferece-nos a sua razão teológica. Ele ensina-nos a ver para além das aparências. É verdade que o “homem exterior se vai arruinando” – a fragilidade, a doença e a morte são realidades visíveis, mas, ao mesmo tempo, “o homem interior vai-se renovando de dia para dia”, explicou.
“A morte, na visão cristã, não é um fatalismo, mas uma passagem. Paulo usa a imagem da nossa vida terrena como uma “tenda”, uma morada provisória. A morte é o momento em que esta tenda é desfeita para recebermos “nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus”, afirmou, acrescentando que “esta verdade fé convida-nos a reorientar o nosso olhar: a não nos fixarmos no visível, que é passageiro, mas a projetarmo-nos no invisível, que é eterno. A nossa saudade é real, mas a vida para a qual os nossos de fundos foram chamados é infinitamente mais real e duradoura”.
“Para onde nos leva esta esperança? Qual o rosto do nosso Redentor? O Evangelho dá-nos a resposta na oração emocionada de Jesus. Ele, que conhece o Pai, revela-nos o Seu coração. E a seguir, lança o convite mais consolador de toda a Escritura: “Vinde a Mim, todos os andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”, sublinhou.
“Neste dia, quem está mais “cansado e oprimido” do que é que aqueles  que sentem o peso da perda, mais recente ou mais distante?”, questionou, respondendo que “Jesus é o destino daqueles que partiram e o descanso dos que ficaram. Com a sua palavra Jesus alivia o sofrimento e a saudade, dando-nos a certeza de que o “jugo é suave” e a “carga é leve”. O encontro final com Deus não é um tribunal temível, mas a chegada a casa, ao colo de um Pai que nos acolhe através do seu Filho “manso e humilde de coração”.
“É confiados nesta certeza que nos unimos aos que partiram através da oração, porque sabemos que é na comunhão da fé que nos encontramos uns com os outros. A nossa oração não é falar para o vazio, mas acompanhar com o nosso amor e a nossa fé aqueles que nos precederam na viagem para o Pai”, concluiu a homilia o Arcebispo de Évora.
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ARQUIDIOCESE DE ÉVORA