S. Manços nasceu dentro do Império Romano e terá sido martirizado perto da cidade de Évora, numa propriedade, na qual era criado, chamada de Meliana. Era um cristão convicto e exemplar na prática da Fé; entregava-se assiduamente à oração e comungava diariamente o Corpo e o Sangue do Senhor. Os seus senhores terão descoberto que este seria cristão e obrigaram-no a abandonar a sua fé. Este confiante em Deus, recusa abandonar Aquele em quem acredita, acabando por ser espancado e torturado pelos judeus, ao ponto de no seu corpo surgirem chagas e nestas vermes. O santo responde a estes atos com uma explicita profissão de fé na Santíssima Trindade, com a formulação ocidental: o Pai não é gerado, o Filho é gerado pelo Pai e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, sendo três pessoas distintas, há um só Deus. Além destes maus tratos físicos, foi submetido a trabalhos duros no campo. Não desanima e continua entoando hinos de louvor ao Senhor e na prática de devoções durante a noite, acabando por não resistir e assim falecer.
Ao ser encontrado morto, os judeus, por vingança, enterram-no junto à via pública, deixando-o coberto por alguma terra, sem dignidade. Passados anos, aquela propriedade passou para a posse de um cristão que desconhecia a história. Certo dia, passa por lá um homem, que ia a caminho de Mérida (a cidade judicial da Lusitânia) para defender o seu património para que a sua família subsista, então decide descansar por momentos junto ao seu corpo. Durante o sono, é tocado por uma mão estranha e assim vê uma figura desconhecida presa com ferros, que lhe revela a sua história. O Santo diz-lhe que vai ter sucesso no seu problema e pede-lhe que, quando voltar, lhe dê uma sepultura condigna e edifique uma igreja.
Cumprido o milagre, este regressa e constrói uma pequena capela onde o sepulta. Ao desenterrar o cadáver, percebem que este está incorrupto. A partir daqui multiplicam-se os milagres e a devoção. Ao redor deste espaço começa a edificar-se uma aldeia que mais tarde se chamará de S. Manços em homenagem ao santo.
O dia de celebração litúrgica terá ficado o dia 21 de maio por ser o dia do achamento das relíquias e de sua transladação, surgindo nos calendários e passionários hispânicos, no séc. XI.
Durante a Idade Média e Idade Moderna, espalhou-se a história de que S. Manços terá sido discípulo de Jesus e que terá estado na Última Ceia. Após a morte e ressurreição do Senhor terá vindo para o território que hoje corresponde a Évora, trazendo a bacia com que Jesus lavou os pés aos discípulos, para fundar o bispado de Évora. O que os recentes estudos desmentem.
*Pesquisa e texto de Leandro Pacheco
