De 9 a 16 de agosto, a Igreja em Portugal promove uma semana de reflexão sobre a dignidade dos migrantes, num momento em que a recente crise migratória na fronteira espanhola voltou a colocar o tema no centro da atualidade.
Rosário Silva
Enquanto a crise migratória em Ceuta voltou a expor o drama de milhares de pessoas que procuram chegar à Europa, a Igreja em Portugal prepara-se para assinalar, de 9 a 16 de agosto, a 54.a Semana Nacional das Migrações. Sob o tema “Da Fragilidade à Esperança”, a iniciativa pretende lançar um olhar para além
das manchetes e recordar que cada migrante transporta uma história, uma esperança e uma dignidade que não podem ser ignoradas.
Na mensagem divulgada para esta semana, o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, D. Pedro Fernandes, lembra que a fragilidade faz parte da
condição humana, mas alerta para as situações de pobreza, guerra, perseguição e exclusão que obrigam milhões de pessoas a abandonar os seus países. Para o responsável, são realidades que não podem ser vistas apenas como números ou estatísticas, mas como desafios que exigem uma resposta marcada pela solidariedade e pelo respeito pela pessoa humana.
O bispo de Portalegre-Castelo Branco reconhece que Portugal tem uma longa tradição migratória e muitos exemplos de integração bem-sucedida. Ainda assim, chama a atenção para situações de exploração laboral, tráfico de pessoas, discriminação e dificuldades no acesso a direitos fundamentais, defendendo que a cidadania deve assentar sempre na dignidade humana, comum a todos, independentemente da sua origem.
Inspirada nos princípios do acolhimento, da proteção, da promoção e da integração, a Semana Nacional das Migrações desafia comunidades cristãs e a sociedade em geral a construir uma cultura de encontro, capaz de transformar a vulnerabilidade em oportunidade de esperança.
O ponto alto das celebrações será a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, integrada na Peregrinação Internacional Aniversária de 12 e 13 de agosto, no Santuário de Fátima. As cerimónias serão presididas pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, reunindo peregrinos de várias nacionalidades em oração pelos migrantes, refugiados e por todos os que vivem situações de maior fragilidade.
Num contexto em que o fenómeno migratório continua a marcar a realidade europeia, a Semana Nacional das Migrações deixa um convite que vai além da reflexão: reconhecer no rosto de quem chega não uma ameaça, mas uma pessoa que procura reconstruir a sua vida e encontrar um lugar onde possa viver com dignidade e esperança.
(Ilustração conceptual criada com recurso a Inteligência Artificial para representar o fenómeno das migrações. A imagem não documenta qualquer situação real nem identifica pessoas concretas.)
