“Paz e Bem!” É com esta saudação, tão profundamente ligada à tradição franciscana, que D. Francisco José Senra Coelho conclui a mensagem dirigida à Arquidiocese de Évora por ocasião do VIII Centenário do Trânsito de São Francisco de Assis, celebrado este ano.
Na Nota Pastoral, publicada a 1 de outubro, o Arcebispo de Évora convida a Igreja diocesana a olhar para São Francisco não apenas como uma figura marcante da história da Igreja, mas como um testemunho cuja mensagem permanece particularmente atual: a fidelidade ao Evangelho, a fraternidade, a paz, a proximidade aos mais pobres e o cuidado pela criação.
O VIII Centenário assinala os 800 anos do Trânsito de São Francisco, ocorrido a 4 de outubro de 1226. D. Francisco recorda que, oito séculos depois, “a sua vida continua a falar com surpreendente atualidade ao coração da Igreja e do mundo”, apontando para a urgência da paz, o valor da fraternidade e a necessidade de uma relação reconciliada com a criação.
Uma presença franciscana com oito séculos em Évora
A mensagem destaca também a relação histórica entre a Família Franciscana e a Igreja de Évora. Segundo a tradição histórica evocada pelo Arcebispo, os primeiros franciscanos chegaram a Évora em 1224, ainda durante a vida de São Francisco.
Ao longo dos séculos, os filhos e filhas de São Francisco marcaram profundamente a vida religiosa, espiritual, cultural e social do território da Arquidiocese. A Igreja de São Francisco, em Évora, permanece como um dos sinais mais visíveis dessa presença, a par de outros espaços e comunidades que testemunham a história franciscana no Alentejo.
D. Francisco recorda ainda a importância da Província da Piedade, cuja origem remonta a Vila Viçosa, em 1500, e que chegou a fundar treze conventos no Alentejo, oito dos quais no território da atual Arquidiocese de Évora. A par dos frades, o Arcebispo sublinha o papel das filhas de Santa Clara e da Ordem Terceira, hoje Ordem Franciscana Secular, na vida da Igreja e das comunidades.
“Antes de falar, é preciso aproximar-se”
Mais do que recordar uma herança histórica, a Nota Pastoral apresenta o espírito franciscano como um desafio concreto para a vida das comunidades cristãs.
Para D. Francisco, a tradição franciscana ensina a valorizar “a simplicidade, a proximidade, a fraternidade, a atenção aos pobres e o cuidado por aqueles que facilmente ficam esquecidos”. E recorda que o anúncio do Evangelho não se faz apenas através das palavras, mas sobretudo através da vida.
Num tempo marcado por divisões, solidão e indiferença, o testemunho de São Francisco aponta para uma Igreja capaz de se aproximar das pessoas, escutar antes de ensinar e servir antes de pedir.
“Francisco recorda-nos que, antes de falar, é preciso aproximar-se; antes de ensinar, é preciso escutar; antes de pedir, é preciso servir”, escreve o Arcebispo.
Um desafio para o novo Ano Pastoral
A mensagem assume particular significado para a Arquidiocese de Évora por ser publicada às portas do início do novo Ano Pastoral 2026-2027, que terá como lema “Comunidade Cristã: Fidelidade e Renovação”.
D. Francisco estabelece uma ligação direta entre este caminho pastoral e o testemunho de
“Renovar é voltar ao Evangelho, reencontrar a alegria da fé, aproximar-se das pessoas, reconstruir a fraternidade onde ela se encontra ferida e fortalecer a comunhão e a corresponsabilidade na vida das comunidades”
São Francisco, sublinhando que a renovação das comunidades não pode permanecer apenas nos projetos ou nas palavras.
“Renovar é voltar ao Evangelho, reencontrar a alegria da fé, aproximar-se das pessoas, reconstruir a fraternidade onde ela se encontra ferida e fortalecer a comunhão e a corresponsabilidade na vida das comunidades”, afirma.
Gratidão à Família Franciscana
Na Nota Pastoral, o Arcebispo dirige ainda uma palavra especial de gratidão à Família Franciscana presente na Arquidiocese de Évora, recordando de modo particular a chegada, neste ano, da comunidade dos frades da Ordem Franciscana dos Capuchinhos à Unidade Pastoral de Samora Correia.
Agradece o testemunho dos frades, das religiosas e contemplativas, dos membros da Ordem Franciscana Secular e de todos aqueles que continuam a encontrar em São Francisco “uma escola de Evangelho e um caminho de santidade”.
A mensagem termina com um convite a reconhecer que a história franciscana continua viva sempre que alguém escolhe reconciliar em vez de dividir, servir em vez de se servir, aproximar-se em vez de passar ao lado e cuidar em vez de abandonar.
“Talvez seja também este o apelo que hoje nos deixa: voltar sempre ao Evangelho, com simplicidade, com verdade e com confiança”, escreve D. Francisco José Senra Coelho.
A Nota Pastoral, datada de 1 de outubro de 2026, termina confiando a Arquidiocese à intercessão de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Arquidiocese, e com a tradicional saudação franciscana: “Paz e Bem!”
