A vida e o legado de Santa Beatriz da Silva, nascida em Campo Maior, vão estar em debate num simpósio internacional que reúne, nos dias 17 e 18 de outubro, em Fátima, investigadores e especialistas de diferentes áreas. O encontro pretende aprofundar o conhecimento sobre a santa e sobre a Ordem da Imaculada Conceição, mas também olhar para a influência que a sua figura e espiritualidade tiveram na cultura e na sociedade portuguesa.
O simpósio decorre no Auditório de São José, na Casa das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, e integra as comemorações do centenário da beatificação e do cinquentenário da canonização de Santa Beatriz da Silva.
Para José Manuel Pimenta, membro da Comissão Executiva do Jubileu Internacional dedicado a Santa Beatriz da Silva, o encontro pretende reunir diferentes perspetivas sobre uma figura cuja influência ultrapassou largamente o seu tempo. “O que se pretende com este simpósio internacional é, através do contributo de investigadores nacionais e internacionais, trazer os seus estudos, as suas reflexões sobre esta figura tão densa, tão profunda, como foi Santa Beatriz”, explica.
Ao longo dos dois dias serão abordados temas relacionados com o percurso de Santa Beatriz de Campo Maior a Toledo, a história da Ordem da Imaculada Conceição em Portugal e na Arquidiocese de Évora, a iconografia da santa e a presença da sua espiritualidade na arte, na literatura e no património.
Mas o programa procura também olhar para uma dimensão menos estudada: o impacto social de Santa Beatriz e da sua canonização. José Manuel Pimenta destaca, nesse âmbito, a importância de compreender “o impacto que tem na sociedade, nas várias esferas da sociedade, políticas, políticas sociais, do quotidiano das pessoas”.
Uma das questões em análise será precisamente o significado da canonização, em 1976, num período particularmente marcante da história portuguesa.
“Como é que um evento desta magnitude, para nós cristãos, de uma pessoa passar a ser santa através da canonização, que impacto é que isso teve na sociedade portuguesa?”, questiona.
O encontro pretende ainda deixar conhecimento para além dos dois dias de trabalhos. As comunicações deverão dar origem à publicação das respetivas atas, permitindo que as reflexões dos investigadores cheguem a um público mais vasto. “A própria comissão tem como objetivo aproveitar a reflexão que irá ser feita e as comunicações que irão ser feitas nestes dois dias, transpô-las para uma publicação de atas”, adianta José Manuel Pimenta.
O responsável acredita que o simpósio poderá também dar origem a novos trabalhos científicos, já que muitas das comunicações poderão posteriormente ser desenvolvidas “em outros artigos, em outras comunicações, em outras intervenções”.
O programa inclui ainda momentos de oração e celebração, entre os quais Vésperas, uma Eucaristia na Capelinha das Aparições e um momento de oração junto à escultura de Santa Beatriz da Silva, na colunata do Santuário de Fátima. Está igualmente previsto um concerto pelo Grupo Coral Ensamble.
O simpósio acontece no contexto do Jubileu Internacional dedicado a Santa Beatriz da Silva, que tem levado as suas relíquias a diferentes comunidades. Na
Arquidiocese de Évora, José Manuel Pimenta destaca a forma como tem sido recebida essa peregrinação, apontando como exemplo uma celebração em Estre-
moz, na Igreja de Santa Maria do Castelo.
“Foi muito significativa a maneira como a comunidade recebeu as relíquias, como as relíquias entraram na igreja, como também a própria celebração foi envolvendo”, recorda José Manuel Pimenta.
A sessão de abertura do simpósio contará, entre outros responsáveis, com o Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho.
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