Évora: Cursos de Cristandade ajudam a “evangelizar o nosso metro quadrado” 

O presidente do Secretariado Arquidiocesano do Movimento dos Cursos de Cristandade, David Rodrigues, explica que a experiência dos cursilhos procura formar leigos para testemunharem o Evangelho na família, no trabalho e na sociedade. 

      Rosário Silva 

O Movimento dos Cursos de Cristandade (MCC) continua a ser uma presença ativa na Arquidiocese de Évora, desafiando os leigos a aprofundarem a fé e a levarem o Evangelho para os ambientes onde vivem e trabalham. Em entrevista ao jornal A Defesa, o presidente do Secretariado Arquidiocesano, David Rodrigues, resume a missão do movimento numa expressão simples: “fermentar os ambientes de Evangelho”. 

“O nosso dever, perante tudo aquilo que Jesus nos deu, é levar a palavra d’Ele, os seus ensinamentos e o seu amor a todos aqueles que nos rodeiam”, afirma, acrescentando que os participantes são convidados a “evangelizar o seu metro quadrado”, através do testemunho quotidiano. 

O coração do movimento são os Cursos de Cristandade, uma experiência de três dias que, segundo David Rodrigues, não pode ser descrita apenas por palavras. “Um cursilho de Cristandade não se consegue explicar, porque é uma vivência. Cada pessoa vive-o à sua maneira”, refere. 

Durante esse percurso, os participantes são conduzidos a uma revisão da própria vida, num caminho que culmina em três encontros fundamentais: “primeiro connosco, depois com Cristo e, finalmente, com os irmãos”. É dessa experiência que nasce o compromisso de regressar ao quotidiano para testemunhar a fé. 

Na Arquidiocese de Évora, mantém-se uma tradição com várias décadas: primeiro realizam-se os cursos para homens e só depois os cursos para senhoras. David Rodrigues explica que esta opção pretende responder à necessidade de envolver mais homens na vida da Igreja. 

“A diocese necessita de homens nas igrejas e nos ambientes”, afirma, recordando que muitos acabaram por participar apenas para corresponder ao desejo das esposas. “Os grandes convertidos que temos na nossa diocese foram por esse caminho. Eu próprio fui fazer o cursilho porque a minha esposa tinha muita vontade de o fazer”, conta. 

Embora reconheça que atualmente seja mais difícil encontrar novos participantes, acredita que o principal convite continua a ser o testemunho de quem vive esta experiência. 

“Quando acabamos o cursilho sabemos que já não estamos sozinhos. Sabemos que estamos com Cristo. A nossa vida muda a nível familiar, muda com os amigos e muda na sociedade”, explica, considerando que essa transformação desperta a curiosidade de outras pessoas. 

O caminho não termina no fim dos três dias. Os participantes continuam a reunir-se nas chamadas ultreias, encontros periódicos de oração, reflexão e partilha que ajudam a alimentar a vida cristã e a fortalecer os laços entre os cursistas. 

“As ultreias são onde os cristãos que passaram pelo cursinho vão buscar alimento para a sua vida cristã. É um momento de muita união. Revemos os amigos, convivemos, rimos e choramos. É uma família”, descreve. 

No final da entrevista, David Rodrigues deixa uma palavra de agradecimento aos membros do movimento e um apelo à perseverança na missão evangelizadora. 

“Sabemos o que vivemos e sentimos. Não era bom da nossa parte ficarmos com isso só para nós. Temos de trazer aquilo que vivemos, aquilo que sentimos e o amor que temos por Deus para os nossos irmãos”, conclui. 

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