Comunicação da Igreja desafiada a “reaprender a arte de conversar”

Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora participou nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social, em Leiria, dinamizando um grupo de trabalho dedicado à criação de conteúdos digitais.

O Seminário de Leiria acolheu, no dia 24 de setembro, as Jornadas Nacionais de Comunicação Social, promovidas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, com o apoio da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais. Sob o tema «Por uma gramática do encontro», a iniciativa reuniu responsáveis diocesanos, profissionais de comunicação institucional, jornalistas e produtores de conteúdos digitais de várias dioceses portuguesas.

O encontro procurou promover a escuta, a partilha de experiências e a reflexão sobre os desafios que se colocam atualmente à comunicação da Igreja, procurando construir um caminho comum e reforçar o trabalho em rede.

Um dos momentos centrais das Jornadas foi a conversa entre o jornalista João Miguel Tavares e D. Alexandre Palma, presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, subordinada ao tema «Reaprender a arte de conversar».

João Miguel Tavares desafiou a Igreja a renovar a forma como comunica, deixando para trás uma comunicação excessivamente defensiva ou centrada apenas na transmissão de informação. Para o jornalista, a Igreja tem uma mensagem com grande relevância para a sociedade, mas precisa de apresentar mais histórias, testemunhos e experiências concretas de pessoas reais.

“Mostrem-me vidas, não me mostrem palavras”, foi um dos desafios deixados aos comunicadores, numa reflexão que destacou também a procura de sentido e de espiritualidade existente numa sociedade marcada pela fragmentação e pela polarização.

D. Alexandre Palma reconheceu que a comunicação da Igreja permanece, muitas vezes, demasiado “reativa” e “informativa”, considerando necessário ultrapassar modelos que pertencem a uma realidade de há décadas. O presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais defendeu uma comunicação mais autêntica, capaz de contar histórias reais e de estabelecer pontes com a sociedade.

“Precisamos de exploradores, de profetas”, afirmou, apelando aos comunicadores para que tenham a ousadia de sair dos “labirintos” em que a comunicação por vezes se fecha. Sublinhou ainda que o Evangelho não pode ser reduzido a informação e que a presença da Igreja no espaço digital deve conhecer as linguagens próprias das redes sociais, sem se deixar instrumentalizar por elas.

Évora participa no trabalho sobre conteúdos digitais

Durante a tarde, as Jornadas deram lugar a seis grupos de trabalho, dedicados a diferentes áreas: organização dos secretariados diocesanos, comunicação institucional, criação de conteúdos digitais, acompanhamento jornalístico do fenómeno religioso, media eclesiais e missão digital.

O Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora participou ativamente neste momento, integrando e dinamizando o grupo dedicado à criação de conteúdos digitais.

A reflexão centrou-se nos desafios de comunicar a vida da Igreja através das plataformas digitais, procurando identificar linguagens, formatos e estratégias capazes de chegar a públicos diferentes e de apresentar, de forma próxima e significativa, a vida das comunidades cristãs.

A participação de Évora permitiu também partilhar experiências e boas práticas desenvolvidas no âmbito da comunicação digital da Arquidiocese, num contexto em que os diferentes secretariados diocesanos são chamados a trabalhar cada vez mais em rede.

A inteligência artificial e as novas tecnologias estiveram igualmente presentes na reflexão, com a Comissão Episcopal das Comunicações Sociais a sublinhar que estas ferramentas devem permanecer ao serviço da dignidade da pessoa humana e de uma comunicação verdadeiramente “de humanos para humanos”.

As Jornadas terminaram com o desafio de reforçar a colaboração entre os diferentes agentes da comunicação da Igreja em Portugal e de encontrar novas linguagens para anunciar a mensagem cristã num contexto social em transformação.

Mais do que comunicar mais, ficou o desafio de comunicar melhor, escutar mais e criar espaços de encontro — uma comunicação capaz de apresentar não apenas palavras, mas também rostos, histórias e vidas transformadas pela experiência da fé.

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