O responsável pelo Departamento da Catequese da Infância e Adolescência da Arquidiocese de Évora, padre Alessandro Cont, fala dos desafios de evangelizar uma geração marcada pela tecnologia, defende uma formação cada vez mais sólida dos catequistas e deixa uma
mensagem de esperança para a Igreja diocesana.
Rosário Silva
Há uma certeza que atravessa gerações: o Evangelho não muda. Mas quem o escuta, sim. É precisamente desta mudança que nasce um dos maiores desafios da catequese nos dias de hoje. Na entrevista concedida ao espaço “Ser Igreja”, da Arquidiocese de Évora, o padre Alessandro Cont, responsável pelo Departamento da Catequese da Infância e Adolescência, não hesita em afirmar: “As crianças não são as mesmas e vivem uma vida muito mais estimulada, mais atrativa, com muitas questões.”
É por isso que, explica, também a catequese precisa de encontrar novas linguagens e novos métodos, sem perder aquilo que lhe é essencial: anunciar Jesus Cristo.
O Departamento da Catequese acompanha o percurso das crianças e adolescentes desde a infância até ao 9.o ano, promovendo, ao longo do ano, ações de formação para catequistas, retiros espirituais e grandes encontros diocesanos que reúnem centenas de participantes. Contudo, para Alessandro Cont, a prioridade continua a ser quem está na linha da frente da missão: “Temos concentrado o nosso esforço na formação dos catequistas, porque todos os anos aparecem novos catequistas que precisam de formação, de ajuda e de orientação. E também os mais antigos precisam de um refresco na formação.”
Essa preparação tornou-se hoje mais exigente. A catequese deixou de ser apenas um espaço de transmissão de conteúdos religiosos para integrar dimensões pedagógicas, psicológicas e relacionais que ajudam os catequistas a responder às necessidades das crianças e adolescentes.
“Hoje em dia pedem muito mais. É preciso saber gerir grupos, compreender diferentes sensibilidades e encontrar formas de comunicar com crianças que vivem rodeadas de estímulos”, sublinha.
A realidade digital é um desses desafios. Em vez de olhar para a tecnologia como um inimigo, o sacerdote considera que ela deve ser integrada de forma responsável na educação dos mais novos. “Não se pode simplesmente demonizar a realidade que temos. É preciso ensinar a usar estes meios da melhor forma”, refere. Para o responsável pelo Departamento, as redes sociais podem até ser um instrumento de evangelização, desde que nunca substituam aquilo que considera essencial: “Nada pode substituir a relação interpessoal.”
Perante a dimensão territorial da Arquidiocese de Évora, o próprio modelo de formação dos catequistas foi sendo adaptado. Depois de várias experiências presenciais, a equipa passou a apostar em encontros mensais online, complementados por dois momentos presenciais durante o ano, permitindo chegar a um maior número de catequistas e abordar temas diversificados, desde a espiritualidade até às questões educativas. Mas evangelizar não é tarefa exclusiva dos catequistas. Alessandro Cont recorda que a catequese só pode dar fruto quando existe uma verdadeira ligação entre famílias, comunidades e paróquias.
“Sem famílias não há comunidade. Sem comunidade não há paróquia.” E acrescenta que esta comunhão é o primeiro testemunho da fé: “Sem comunhão não existe evangelização, não existe testemunho, não existe vida cristã.”
Apesar das dificuldades, o sacerdote prefere fixar o olhar nos sinais de esperança. Fala da dedicação de muitos catequistas, da disponibilidade de jovens que aceitam este serviço e da participação entusiasta nos encontros promovidos pela Diocese.
“É mais fácil criticar e ver o lado negativo, mas a nossa diocese tem imenso potencial”, afirma. Segundo Alessandro Cont, há muitos homens e mulheres que continuam, discretamente, a construir Igreja. “Temos catequistas que, apesar das dificuldades, estão sempre lá, com uma paciência infinita. E temos jovens que querem ser catequistas.”
No final da entrevista, deixa uma mensagem de confiança a todos os que participam na missão evangelizadora da Igreja: “Toda a promoção da catequese é uma obra desgastante, mas, se é para dar a vida, o melhor é dá-la pelo Evangelho.”
Num tempo em que as crianças e os jovens parecem ter cada vez mais propostas e menos tempo para o silêncio, o desafio da catequese continua a ser o mesmo: encontrar caminhos que conduzam ao encontro com Cristo, falando a linguagem de uma nova geração sem perder a força da mensagem que permanece.
