Na sua primeira peregrinação ao Santuário de Balasar, recentemente inaugurado e dedicado, o Arcebispo de Évora presidiu à Eucaristia dominical, confiando à intercessão da Beata Alexandrina Maria da Costa os doentes, as famílias da Arquidiocese de Évora, as novas gerações e a paz no mundo.
Neste domingo, 25 de outubro, pelas 18h00, o Arcebispo de Évora presidiu à celebração da Eucaristia no novo Santuário Eucarístico de Balasar, no concelho da Póvoa de Varzim, dedicado à Beata Alexandrina Maria da Costa, cuja vida constitui um testemunho singular de amor à Eucaristia, de entrega a Deus e de solidariedade espiritual com o sofrimento da humanidade.
A celebração revestiu-se de particular significado por se tratar da primeira peregrinação do Prelado Eborense a este lugar de espiritualidade eucarística, recentemente inaugurado e consagrado, que acolhe agora os restos mortais da Beata Alexandrina, trasladados para o novo templo.
O Arcebispo de Évora levou consigo intenções muito especiais de oração. Na sua deslocação a Balasar, agradeceu o bom êxito da cirurgia a um melanoma a que a sua mãe foi submetida, no passado dia 22, no Hospital de Santo António, no Porto, e confiou à intercessão da Beata Alexandrina a sua plena recuperação. Confiou ainda à sua intercessão a paz num mundo marcado por guerras e conflitos, a esperança e a descoberta do sentido da vida pelas novas gerações, bem como todos os doentes e aqueles que atravessam momentos de sofrimento e provação.

«Trago no coração toda a Arquidiocese de Évora»
Na homilia, o Prelado Eborense sublinhou que a sua presença em Balasar não era apenas uma peregrinação pessoal, mas também um gesto de profunda comunhão espiritual com toda a Igreja que lhe está confiada.
Referiu que trazia consigo, no coração, toda a Arquidiocese de Évora, colocando simbolicamente na patena e no cálice eucarístico as famílias, particularmente aquelas que cuidam dos seus doentes e idosos, os que vivem na solidão, os mais frágeis e vulneráveis e todos aqueles que, por diferentes caminhos, procuram Deus e um sentido para a sua existência.
Diante da memória e do testemunho da Bem-Aventurada Alexandrina, o Arcebispo confiou estas intenções à misericórdia de Deus, recordando que a Eucaristia é o lugar onde se encontram as alegrias, as esperanças, as preocupações e os sofrimentos de toda a humanidade.
O amor a Deus e ao próximo no centro da vida cristã
A partir da Palavra de Deus proclamada neste 30.º Domingo do Tempo Comum, o Arcebispo de Évora centrou a sua reflexão no maior mandamento da Lei, apresentado por Jesus no Evangelho de São Mateus: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito» e «Amarás o teu próximo como a ti mesmo».
O Prelado recordou que o amor a Deus e o amor ao próximo são dimensões inseparáveis da existência cristã, não sendo possível professar uma fé autêntica sem uma atenção concreta aos irmãos, especialmente aos mais pobres, aos doentes, aos idosos, aos estrangeiros e a todos os que vivem situações de maior fragilidade.
Evocando a primeira leitura, destacou a solicitude de Deus para com o órfão, a viúva e o estrangeiro, sublinhando que a autenticidade do amor cristão se manifesta na capacidade de escutar, acolher e cuidar daqueles que mais necessitam.

Beata Alexandrina, testemunha de um amor sem limites
A figura da Beata Alexandrina Maria da Costa ocupou um lugar central na reflexão do Arcebispo, que apresentou a sua vida como um testemunho luminoso de amor absoluto a Deus, vivido na intimidade com Cristo Eucarístico e na entrega generosa pelos outros.
Paralisada durante mais de três décadas, Alexandrina transformou o seu leito de sofrimento num lugar de oração, de adoração e de oferta espiritual. Apesar das limitações físicas, o seu coração permaneceu aberto às necessidades da Igreja e do mundo.
O Arcebispo evocou a profunda união espiritual da Beata com Jesus presente no Sacrário, salientando que a sua aparente imobilidade nunca significou indiferença perante os sofrimentos da humanidade. Pelo contrário, daquela cama em Balasar, Alexandrina abraçou espiritualmente o mundo inteiro, rezando pela conversão dos pecadores, pela paz entre os povos e por todos os que sofriam.
Recordou ainda o extraordinário testemunho eucarístico da Beata, que, durante os últimos treze anos da sua vida, viveu, segundo os testemunhos associados à sua causa de beatificação, alimentando-se exclusivamente da Sagrada Comunhão.
Neste contexto, o Prelado sublinhou que a Eucaristia não pode ser entendida como um simples rito ou uma prática desligada da vida quotidiana, mas como fonte de um amor que se torna concreto no serviço, na proximidade e na atenção aos mais vulneráveis.
Um Santuário chamado a ser farol de esperança
A recente inauguração e dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar, bem como a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina para este espaço sagrado, conferiram à celebração um significado particularmente expressivo.
O Arcebispo de Évora apresentou este lugar como um convite permanente à adoração, à conversão interior e à descoberta do amor de Cristo, que se oferece na Eucaristia para alimentar a vida dos fiéis.
Destacou que o testemunho de Alexandrina continua a interpelar a Igreja e a sociedade contemporânea, especialmente num tempo em que tantas pessoas, nomeadamente os mais jovens, procuram razões para esperar, para acreditar e para encontrar um sentido profundo para a vida.
A exemplo da Beata de Balasar, os cristãos são chamados a deixar-se transformar pelo amor de Deus, para que esse mesmo amor se torne visível nas famílias, nas comunidades, nos locais de trabalho e na proximidade aos que vivem na doença, na solidão ou no abandono.

Uma peregrinação marcada pela oração e pela esperança
A primeira peregrinação do Arcebispo de Évora ao Santuário Eucarístico de Balasar ficou, assim, marcada por uma forte dimensão de oração pessoal, comunhão eclesial e confiança na intercessão da Beata Alexandrina.
Ao confiar particularmente a sua mãe, perante a intervenção cirúrgica que a aguarda, e ao recordar todos os doentes e idosos, o Prelado associou à celebração eucarística as preocupações e esperanças de tantas famílias que enfrentam diariamente a fragilidade humana.
A sua oração estendeu-se igualmente às novas gerações, para que encontrem na fé, no amor e na esperança caminhos de realização e sentido para a vida, e a todos os povos que anseiam pela paz.
No final da reflexão, o Arcebispo convidou os fiéis a aprender com a Beata Alexandrina a colocar o amor no centro da existência, permitindo que a comunhão com Cristo alargue o coração de cada pessoa à misericórdia, à solidariedade e à entrega aos outros.
A celebração constituiu, deste modo, um momento de profunda comunhão entre a Arquidiocese de Évora e o Santuário de Balasar, unidos na mesma fé eucarística e na confiança de que, como testemunhou a Beata Alexandrina Maria da Costa, mesmo no sofrimento e na fragilidade, uma vida inteiramente entregue a Deus pode tornar-se fonte de esperança e de amor para o mundo inteiro.


