Arcebispo de Évora pede cristãos “credíveis” e coerentes no testemunho da fé

Rosário Silva

Celebração no Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, em Terena, destacou a importância da coerência, da paz e da vivência comunitária da fé

O arcebispo de Évora apelou hoje à paz, convidando os fiéis a unirem-se à oração do Papa Leão XIV pela paz no mundo, no contexto da sua viagem a quatro países de África. Na Eucaristia celebrada no Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, afirmou que quis fazer daquela celebração “um grande apelo de paz”, à luz da Ressurreição de Cristo.

Na homilia da Missa do Domingo da Divina Misericórdia, celebrada naquele santuário que se encontra em festa, o prelado afirmou que a fé cristã “não é uma aventura isolada”, mas uma experiência vivida em comunidade, sublinhando que o afastamento da Igreja torna “mais difícil e exigente” o caminho de acreditar.

Partindo do episódio evangélico de Tomé, o responsável católico recordou que a dúvida faz parte da experiência humana, apresentando o apóstolo como “gémeo de todos nós”, na medida em que espelha as interrogações de cada pessoa.

“O desafio de acreditar torna-se mais difícil quando nos afastamos da comunidade de modo habitual ou permanente”, afirmou, defendendo que é na comunidade que se faz a experiência de Deus como “rosto da misericórdia do Pai”.

O arcebispo de Évora destacou ainda o significado do domingo como “Páscoa semanal”, momento em que a comunidade cristã se reúne para celebrar a fé e renovar a certeza da presença de Cristo ressuscitado. “Ninguém está dispensado desta reunião festiva dos filhos de Deus”, disse, ainda que reconhecendo a possibilidade de participação à distância por motivos impeditivos.

Na sua reflexão, sublinhou que a Igreja deve ser uma “comunidade de convictos” e não apenas uma realidade cultural ou tradicional, defendendo que o seu maior testemunho perante o mundo é a comunhão e a unidade. “Uma comunidade acolhedora, geradora de relações fraternas”, acrescentou, é sinal da presença de Deus.

A homilia destacou também a centralidade da paz, apresentada como dom que exige compromisso e caminho de reconciliação. “Reconstruir a paz é um trabalho que passa sempre pelo perdão”, afirmou, alertando para a facilidade com que se perde a paz e se alimentam o ódio e a guerra.

Citando São João Crisóstomo, o prelado evocou a atitude de Cristo perante Tomé, sublinhando a pedagogia divina que responde às dúvidas humanas com proximidade e amor, conduzindo à fé.

A concluir, deixou um apelo à coerência de vida dos cristãos, considerando que “não basta ser crente, é preciso ser credível”. “A Igreja necessita de credibilidade a partir da nossa coerência”, afirmou, convidando cada fiel a ser “uma pequena lâmpada” em tempos marcados pela violência e pela falta de esperança.

“Com o amor de Deus, amar todos os homens: é aí que nasce de novo a paz”, concluiu.

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ARQUIDIOCESE DE ÉVORA