O Dia da Universidade de Évora ficou também marcado pela realização do primeiro Momento de Encontro Inter-Religioso pela Paz, que reuniu representantes das comunidades Católica, Muçulmana, Adventista, Budista e Evangélica. D. Francisco Senra Coelho destacou a importância do diálogo, da solidariedade e do respeito pela dignidade humana na construção de uma sociedade mais fraterna.
A Universidade de Évora assinalou este domingo, 1 de novembro, o seu Dia e a abertura solene do ano académico 2026/2027, numa jornada que, para além de evocar os 467 anos da fundação da instituição, ficou marcada por um sinal de diálogo e aproximação entre diferentes tradições religiosas.
As celebrações tiveram início na Igreja do Espírito Santo, com a Eucaristia de Ação de Graças e Sufrágio, presidida por D. Francisco Senra Coelho, Arcebispo de Évora, no contexto da Solenidade de Todos os Santos.
Na homilia, o prelado centrou a reflexão nas Bem-aventuranças e na sua atualidade perante os desafios da sociedade contemporânea, particularmente os que afetam as novas gerações, num contexto marcado por incertezas e profundas crises sociais e económicas.
D. Francisco Senra Coelho sublinhou que a paz e a felicidade não se encontram no egoísmo ou na indiferença, mas na mansidão, na solidariedade e na coragem de construir pontes. Destacou igualmente o papel da Universidade enquanto espaço de diálogo, formação humana e compromisso com a transformação da sociedade.
«A Paz constrói-se na tolerância e no respeito mútuo», afirmou, apresentando estes valores como fundamentos essenciais para uma convivência social alicerçada na espiritualidade e na sabedoria.

Diálogo inter-religioso pela paz
Após a celebração eucarística, a Igreja do Espírito Santo acolheu o primeiro Momento de Encontro Inter-Religioso pela Paz promovido no âmbito do Dia da Universidade de Évora. A iniciativa reuniu representantes de cinco comunidades religiosas presentes na região, num gesto de diálogo, proximidade e compromisso comum com a construção da paz.
Estiveram presentes Mohmed Zubir Nazir Amade, da Comunidade Muçulmana de Évora; o Pastor António Domingues, da Comunidade Adventista de Évora; Lama Gyurme, da Comunidade Budista de Alcácer; Geneci Pessoa, da Comunidade Evangélica de Évora; e D. Francisco Senra Coelho, em representação da Igreja Católica.
O encontro constituiu uma expressão concreta da possibilidade de diferentes tradições religiosas se encontrarem em torno de valores fundamentais para a sociedade, reconhecendo a importância da tolerância, do respeito mútuo e da responsabilidade partilhada na promoção da paz.
A realização deste momento, integrado pela primeira vez no programa oficial do Dia da Universidade, conferiu particular significado à jornada, sublinhando a importância do diálogo inter-religioso num tempo em que a convivência entre pessoas e comunidades exige abertura, escuta e capacidade de construir pontes.

Uma universidade com história e compromisso com a sociedade
A jornada evocou também a história da Universidade de Évora, cuja inauguração solene ocorreu a 1 de novembro de 1559, por iniciativa do Cardeal D. Henrique, então Arcebispo de Évora, com autorização do Papa Paulo IV.
Na Eucaristia, D. Francisco Senra Coelho recordou os homens e mulheres que, ao longo dos séculos, contribuíram para a identidade da instituição, referindo-se aos «santos anónimos» da história académica: pessoas que, sem reconhecimento público, viveram o seu quotidiano com retidão, generosidade e espírito de serviço.
A celebração foi igualmente ocasião para recordar, em sufrágio, os professores, estudantes e funcionários falecidos que fizeram parte da comunidade universitária.
A abertura solene do ano académico prosseguiu na Sala dos Actos do Colégio do Espírito Santo, com a sessão solene, a lição inaugural, a atribuição de títulos de Professor Emérito, a entrega de distinções académicas e a imposição das insígnias doutorais aos novos doutores.
A concluir a sua homilia, o Arcebispo de Évora deixou o desejo de que a Universidade continue a ser «um farol de ciência, mas também uma escola viva de fraternidade, justiça e santidade».
