D. José Cordeiro presidiu à Missa da peregrinação internacional de outubro, em Fátima, que reuniu cerca de 100 mil peregrinos. Na celebração, destacou as dificuldades económicas, a crise da habitação e a necessidade de construir a paz a partir do coração de cada pessoa.
O arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, alertou hoje, 13 de outubro, em Fátima, para o impacto da crise económica na vida das famílias portuguesas e para a instabilidade internacional provocada pelos conflitos armados, apelando à construção da paz através de gestos concretos no quotidiano.
Na Missa da peregrinação internacional de outubro, que reuniu cerca de 100 mil pessoas na Cova da Iria, o presidente da celebração recordou o aumento generalizado do custo de vida e as dificuldades no acesso à habitação, realidades que agravam a situação de muitas famílias.
“Perante estas realidades, a pergunta sobre quem é Cristo” ganha uma “particular atualidade”, afirmou D. José Cordeiro, desafiando os cristãos a refletir sobre o significado de seguir Jesus num mundo marcado pela guerra, pela insegurança e pela divisão.
O arcebispo de Braga defendeu que a resposta passa por não deixar que o medo e o desânimo dominem a vida, permitindo que o encontro com Cristo transforme a forma de olhar o mundo e de agir perante as suas dificuldades.
«A paz pela qual rezamos começa dentro de nós»
Na homilia, D. José Cordeiro apelou à pacificação dos corações, considerando que a construção da paz mundial exige também uma mudança de atitudes nas relações pessoais e comunitárias.
“Precisamos de pacificar o nosso coração, rejeitando as lógicas de poder e de procura do bem próprio, rejeitando os conflitos e discussões que tantas vezes se instalam entre nós pelos motivos mais fúteis”, afirmou.
“A paz pela qual rezamos começa dentro de nós”, sublinhou o vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, acrescentando que a paz pode ganhar espaço nas famílias, nas comunidades paroquiais e nos locais de trabalho através de gestos concretos, mesmo quando parecem pequenos.
O responsável convidou ainda os fiéis a rezar pela conversão dos corações daqueles que promovem a guerra e os interesses a ela associados.
Oração pelo Papa Leão XIV
A celebração ficou também marcada por uma intenção especial de oração pelo Papa Leão XIV, que, segundo o texto de origem, foi internado hoje no Hospital Gemelli, em Roma, para uma intervenção cirúrgica.
Na oração universal, os peregrinos pediram que a graça de Deus fosse o conforto do Santo Padre e que recuperasse rapidamente a saúde, recordando igualmente os seus apelos à construção de uma “paz desarmada e desarmante”.
Foram ainda lembradas as vítimas da guerra, da discriminação e da injustiça, bem como os cristãos perseguidos por causa da sua fé e todos aqueles que vivem em situações de marginalização e fragilidade.
No final da Eucaristia, D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, agradeceu ao presidente da celebração e convidou os peregrinos a permanecerem próximos de quem sofre, com especial atenção aos doentes, aos idosos e às pessoas que vivem na solidão.
Fátima recorda as aparições de 1917
A peregrinação internacional de outubro evocou a sexta aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos, em 13 de outubro de 1917, e o chamado “Milagre do Sol”.
D. José Cordeiro destacou a importância da experiência de fé vivida em Fátima, afirmando que a Virgem Maria mostrou às crianças a importância de uma fé construída a partir do encontro concreto com Jesus Cristo.
A celebração coincidiu também com a memória litúrgica da beata Alexandrina Maria, de Balasar, falecida a 13 de outubro de 1955, e com o aniversário da dedicação da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Ao concluir a peregrinação, ficou o apelo a que a oração se traduza numa vida mais fraterna, solidária e comprometida com a paz, começando pelas relações mais próximas e estendendo-se a toda a sociedade.
