«Igreja dos Povos» abre em Évora para acolher e acompanhar as comunidades migrantes

A Igreja de São José, no Convento Novo, em Évora, abriu as portas à «Igreja dos Povos», um novo espaço de encontro, oração e acompanhamento pastoral das populações migrantes. A Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, e reuniu fiéis de diferentes culturas, bem como paroquianos e habitantes do centro histórico da cidade.

A Diocese de Évora conta, a partir de agora, com um novo espaço pastoral dedicado ao acolhimento e acompanhamento das populações migrantes. A abertura da «Igreja dos Povos», na Igreja de São José, no Convento Novo, foi assinalada com a celebração da Eucaristia, presidida pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho.

Concelebraram o pároco de São Mamede, Cónego Fernando Marques, e os sacerdotes da Comunidade Canção Nova, Padre Gleidson Carvalho e Padre Rafael Morais, este último empossado como responsável pela Pastoral das Migrações e pela «Igreja dos Povos». A celebração contou com a participação de pessoas de diferentes origens e tradições culturais, num ambiente de comunhão e fraternidade, que juntou comunidades migrantes, paroquianos e habitantes do centro histórico.

A iniciativa pretende fazer deste templo um lugar de acolhimento, onde os migrantes possam celebrar a sua fé, encontrar acompanhamento pastoral e fortalecer os laços com a comunidade local.

Um banquete aberto a todos os povos

Na homilia, D. Francisco Senra Coelho destacou a imagem bíblica do banquete universal, preparado para acolher todos os povos, nações, línguas e tradições. Partindo desta imagem, sublinhou a riqueza do encontro entre pessoas diferentes e a importância de reconhecer que cada um tem algo a receber dos outros, mas também algo de único para oferecer.

A diversidade cultural, nesta perspetiva, não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade de enriquecimento mútuo e de construção de uma comunidade mais fraterna. É no encontro, na partilha e no reconhecimento da dignidade de cada pessoa que se torna possível construir um mundo mais humano.

O Arcebispo alertou também para os ritmos acelerados da sociedade contemporânea, que tantas vezes deixam pouco espaço para o encontro, a escuta, o cuidado e a vida interior. Perante uma realidade marcada pela pressa e pelas preocupações quotidianas, salientou a necessidade de recuperar o sentido da fraternidade e de dar prioridade ao essencial, valorizando as relações humanas e a atenção aos outros.

A abertura da «Igreja dos Povos» enquadra-se neste horizonte de acolhimento, procurando ser um lugar onde as diferenças culturais se transformem numa oportunidade de aproximação e onde cada pessoa possa encontrar espaço para viver a fé e participar na vida da Igreja.

A riqueza artística e espiritual da Igreja de São José

Na sua intervenção, D. Francisco Senra Coelho destacou igualmente a riqueza patrimonial e artística da Igreja de São José, chamando a atenção para a pintura, a azulejaria e a talha dourada, elementos que marcam a identidade deste templo.

Entre as obras presentes, referiu as telas alusivas à vida de Santa Teresa de Ávila, os azulejos que retratam episódios da vida de São José, os frescos e a cúpula, salientando o valor deste património enquanto expressão da história, da cultura e da fé cristã.

A abertura deste espaço pastoral constitui, assim, também uma oportunidade para valorizar e dar vida a um templo histórico da cidade, colocando-o ao serviço de uma comunidade que se deseja aberta, participativa e acolhedora.

«Esta igreja é nossa»: Padre Rafael Moraes apela à participação de todos

Na sua intervenção, o padre Rafael Moraes, agora responsável pela Pastoral das Migrações e pela «Igreja dos Povos», apelou ao envolvimento de toda a comunidade na construção e continuidade deste projeto pastoral.

«Esta igreja é nossa. Ela não é do padre Rafael, não é do D. Francisco, não é do padre Fernando; ela é do povo de Deus», afirmou, sublinhando que a missão da Igreja se constrói com a participação e o compromisso de todos.

O sacerdote convidou os presentes a assumirem também a responsabilidade pela manutenção do espaço, recordando os encargos necessários ao funcionamento do templo. Nesse sentido, destacou que mesmo os pequenos contributos podem fazer a diferença para garantir a continuidade da iniciativa.

O Padre Rafael aproveitou ainda a ocasião para agradecer aos membros da comunidade que, no dia anterior, se tinham dedicado à limpeza e à preparação da igreja, reconhecendo a disponibilidade daqueles que colocaram o seu tempo e trabalho ao serviço deste novo projeto.

«Ontem, quando eu vi vocês aqui, nós pudemos rezar juntos e trabalhar juntos», afirmou, agradecendo o empenho dos voluntários e manifestando a sua disponibilidade para acompanhar e servir a comunidade. A sua intervenção reforçou, assim, a ideia de que a «Igreja dos Povos» deverá ser construída em conjunto, através da oração, da entreajuda e da participação ativa de todos.

Uma iniciativa acolhida com alegria pela comunidade

A abertura da «Igreja dos Povos» foi recebida com satisfação pelos habitantes do centro histórico de Évora, que veem nesta iniciativa uma oportunidade para dinamizar a vida comunitária e promover uma maior participação dos fiéis.

Maria Santiago considerou a iniciativa uma boa decisão, observando que as paróquias do centro histórico estão envelhecidas e que as pessoas migrantes também precisam de espaços onde possam expressar e celebrar a sua fé. Manifestou, por isso, o seu agradecimento pela criação deste novo lugar de encontro.

Também Irene Rebocho destacou a importância da abertura para a comunidade paroquial. Recordando que a igreja abria anteriormente apenas uma vez por mês, com a participação de três ou quatro pessoas na Eucaristia, afirmou que esta nova etapa representa «uma grande alegria», permitindo uma maior participação nas celebrações e o encontro entre cristãos de diferentes origens.

Entre os migrantes, a iniciativa foi igualmente recebida como um sinal de acolhimento. Lucas Santiago, brasileiro e residente em Évora há cerca de um mês, partilhou as dificuldades sentidas na adaptação, nomeadamente devido às diferenças linguísticas, apesar de ter o português como língua materna. Considerou, contudo, esta iniciativa um passo positivo numa cidade que descreve como acolhedora, vendo nela um reflexo da hospitalidade característica do Alentejo.

Por sua vez, Filipe Cabral, natural de Cabo Verde e residente em Portugal há cinco anos, salientou que a «Igreja dos Povos» poderá tornar-se um lugar de encontro entre diferentes povos e culturas. Referiu que muitos fiéis africanos desejam celebrar a Eucaristia nas suas próprias línguas e considerou importante encontrar formas de aproximar diferentes expressões celebrativas.

Músico, Filipe Cabral colocou também os seus dons ao serviço da comunidade, sublinhando a importância de cada pessoa contribuir para este projeto com aquilo que sabe fazer. O seu testemunho evidenciou que a integração passa não apenas pelo acolhimento, mas também pela possibilidade de participar ativamente na vida da Igreja.

Uma Igreja de portas abertas

Após a celebração eucarística, os participantes partilharam um momento de convívio, prolongando o ambiente de proximidade e fraternidade vivido durante a celebração.

Mais do que um espaço de culto, a «Igreja dos Povos» pretende afirmar-se como um lugar de escuta, acolhimento e acompanhamento pastoral das populações migrantes, promovendo a integração na vida da Igreja e o encontro com as comunidades locais.

A presença conjunta de migrantes, paroquianos e habitantes do centro histórico marcou o início deste caminho, que procura valorizar a diversidade cultural como uma riqueza para a Diocese e para a cidade de Évora.

Com a abertura deste novo espaço, a Igreja pretende reforçar a sua missão de acolher todos os povos, fazendo da fé um lugar de encontro, de comunhão e de construção de uma comunidade onde cada pessoa possa sentir-se em casa.

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