Três anos para renovar a vida das comunidades

Novo ciclo pastoral da Arquidiocese de Évora, que começa a 5 de outubro, aposta na formação, renovação dos agentes pastorais e maior corresponsabilidade dos leigos.

A renovação dos agentes pastorais e a preparação de novas gerações para assumirem responsabilidades nas comunidades são algumas das prioridades do novo ciclo pastoral da Arquidiocese de Évora, que se inicia a 5 de outubro e se prolongará até 2029. Sob o tema “Comunidade Cristã: Fidelidade e Renovação”, o percurso pretende reforçar a formação e criar condições para uma maior participação e corresponsabilidade dos leigos na vida da Igreja.

D. Francisco Senra Coelho reconhece a dedicação dos muitos homens e mulheres que têm assegurado, ao longo dos anos, os diferentes serviços nas comunidades, mas considera necessário preparar a sua renovação. “Precisamos de renovar os agentes da pastoral em todos os sentidos das nossas paróquias”, afirma, sublinhando que “muitos deles estão cansados porque os anos vão passando”.

É neste contexto que a formação assume um lugar central no novo Plano Pastoral. Ao longo de três anos, a Arquidiocese propõe um percurso que começa com uma formação de carácter geral, passa depois por áreas de especialização e poderá culminar, no terceiro ano, na preparação e eventual instituição de ministérios laicais.

O primeiro ano pastoral, 2026-2027, será dedicado a uma formação de base destinada aos agentes pastorais, abrangendo diferentes dimensões da vida comunitária. O Arcebispo fala de um “triângulo de dedicação à formação”, centrado na liturgia, dimensão social e caritativa e dimensão profética, sem esquecer a própria vida comunitária.

A intenção é que esta formação aconteça o mais próximo possível das comunidades, nas paróquias, unidades paroquiais ou vigararias, de acordo com a realidade de cada lugar. Uma equipa diocesana deverá disponibilizar temas e materiais para apoiar o trabalho local.

Mais do que um modelo tradicional de formação, D. Francisco deseja encontros marcados pela partilha e pela participação. “Que estejamos afinal numa formação sinodal, todos, em aprendizagem, à volta de uma mesa”, afirma. “Que não estejamos de costas uns para os outros, numa sala de aulas, mas em mesa redonda.”

No segundo ano, 2027-2028, o percurso deverá avançar para uma formação mais específica, dirigida a áreas como a catequese, a liturgia e a pastoral socio-caritativa e profética. Estão também previstas experiências práticas, visitas e workshops, procurando dar às comunidades contacto com diferentes formas de concretizar a ação pastoral.

O terceiro ano, 2028-2029, poderá trazer uma nova etapa na valorização dos ministérios laicais. D. Francisco admite a possibilidade de preparação e eventual instituição dos três ministérios reconhecidos pela Igreja: catequistas, leitores e acólitos.

O processo, porém, deverá nascer da realidade das próprias comunidades e não de uma imposição. “Querendo Deus, queira Deus que sim, mas é um sim condicionado à realidade, sem ser forçado”, esclarece. A intenção é chegar a estes ministérios através do reconhecimento dos “carismas e vocações” existentes entre os fiéis.

O Arcebispo aponta ainda para a possibilidade de a Arquidiocese reconhecer um serviço ligado à caridade, envolvendo áreas como a Pastoral da Saúde, a Cáritas e o acompanhamento das pessoas mais frágeis. Neste caso, tratar-se-ia de um serviço diocesano e não de um ministério instituído pela Santa Sé.

Abrir espaço às novas gerações

A renovação dos agentes pastorais atravessa, assim, todo o percurso do novo Plano Pastoral. Para o Prelado, preparar novas pessoas para assumir responsabilidades não significa desvalorizar o trabalho de quem já serve a Igreja, mas garantir a continuidade das comunidades.

“Precisamos de entregar as chaves da confiança, as chaves da doação, as chaves da comunidade a corações abertos”, afirma o Arcebispo, defendendo a necessidade de “empenhar, sensibilizar, formar e acompanhar as novas gerações, os jovens”.

É nessa passagem de testemunho que coloca a razão mais profunda do caminho pastoral para os próximos três anos: “Esta é a razão de ser mais profunda e premente deste tema para os próximos três anos”, conclui.

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