Rita Valadas: “Ser rede é um enorme privilégio que nos acrescenta a todos”

A VIII Semana de Formação Cáritas decorre entre 15 e 18 de setembro, em Évora, reunindo representantes de diferentes territórios para quatro dias de partilha, reflexão e formação. Em entrevista ao jornal adefesa, a presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, sublinha a importância de uma intervenção próxima, atenta às pessoas e capaz de responder à diversidade das realidades sociais.

Évora acolhe, entre 15 e 18 de setembro, a VIII Semana de Formação Cáritas, uma iniciativa regular da Cáritas Portuguesa que procura promover a partilha de experiências, conhecimentos, preocupações e respostas entre diferentes territórios do país.

Em entrevista ao jornal a defesa , Rita Valadas explica que este encontro pretende dar a conhecer a riqueza da presença da Cáritas no terreno e reforçar a consciência de que a ação da instituição ganha força através da rede que une as diferentes estruturas.

“Ser rede é um enorme privilégio que nos acrescenta a todos”, afirma a presidente da Cáritas Portuguesa, defendendo uma rede vivida “em comunhão, alegria e entusiasmo”, capaz de colocar em comum os recursos, as experiências e os conhecimentos de cada realidade.

Responder a realidades cada vez mais diversas

Perante uma realidade social em rápida transformação, marcada por novas formas de pobreza, solidão e vulnerabilidade, Rita Valadas considera necessário evitar respostas uniformes. Para a presidente da Cáritas Portuguesa, cada território apresenta problemas, recursos, pessoas e capacidades próprias, exigindo uma intervenção atenta às suas especificidades.

“Juntos somos mais fortes, estamos mais presentes e cuidamos mais perto.”

“É difícil ter uma leitura transversal dos problemas, dos dons e das soluções em cada território”, reconhece, defendendo a capacidade de encontrar respostas “à medida dos problemas, dos recursos, das pessoas e dos dons de cada território”.

Neste contexto, a proximidade assume um papel central. A presença da Cáritas junto das comunidades permite conhecer de forma mais concreta as situações e acompanhar as pessoas, estabelecendo relações de vizinhança e de cuidado.

A força da proximidade no interior

Questionada sobre as especificidades das regiões do interior, como o Alentejo, Rita Valadas considera que a interioridade não deve ser entendida como um obstáculo à intervenção de proximidade.

“A riqueza na presença da Cáritas na proximidade está diretamente ligada à capacidade de estar atenta, presente e conseguir exercer uma vizinhança próxima, atenta e conhecedora”, afirma.

Para a responsável, os recursos, competências e dons existentes em cada território constituem uma riqueza que pode ser colocada ao serviço da comunidade. É também através da rede e das parcerias que se torna possível partilhar conhecimento e recursos e responder de forma mais eficaz perante situações de maior fragilidade.

“Juntos somos mais fortes, estamos mais presentes e cuidamos mais perto”, sublinha.

Voluntariado como recurso estratégico

O voluntariado é igualmente apontado como uma dimensão essencial da missão da Cáritas. Rita Valadas considera-o “um recurso estratégico”, destacando o contributo dos voluntários para a qualidade da intervenção e para a qualidade de vida das pessoas acompanhadas.

Os diferentes papéis assumidos pelos voluntários, explica, respondem aos seus interesses e dons, mas também às necessidades concretas dos territórios onde a Cáritas está presente.

A VIII Semana de Formação constitui, assim, uma oportunidade para fortalecer esta dinâmica de participação e partilha, permitindo que diferentes experiências possam contribuir para uma resposta mais atenta e próxima.

Uma rede preparada para a imprevisibilidade

Olhando para os próximos anos, Rita Valadas identifica como desafio a capacidade de adaptação perante situações sociais cada vez mais imprevisíveis e exigentes.

A Cáritas, recorda, está presente em diferentes dimensões — paroquial, diocesana, nacional, europeia e internacional —, o que permite uma permanente partilha de conhecimento e recursos, desde as situações vividas junto das comunidades locais até às grandes crises que afetam as populações mais vulneráveis.

“Importa acreditar que nas pessoas e no olhar atento à proximidade podemos fazer a diferença”, conclui Rita Valadas.

A realização da VIII Semana de Formação Cáritas em Évora reforça, deste modo, a importância da comunhão entre diferentes territórios e da construção de uma rede capaz de partilhar recursos, experiências e esperança, colocando no centro da sua ação as pessoas e as comunidades.

 

Entrevista: A Defesa, Rosário Silva.

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