O Padre Ricardo Cardoso tomou posse como novo pároco de Estremoz, numa celebração eucarística presidida pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho. Aos 42 anos, o sacerdote, natural de Évora e ordenado em 2008, inicia uma nova etapa do seu ministério pastoral, depois de seis anos de formação e estudo em Roma e de, nos últimos meses, ter colaborado já com as comunidades de Estremoz.
Em entrevista ao jornal A Defesa, o novo pároco sublinha que chega a estas comunidades com «um profundo sentido de responsabilidade», mas também com «muita expectativa e vontade de trabalhar», consciente da história e da forte ligação das pessoas aos sacerdotes que as acompanharam durante décadas.
«Não venho para substituir ninguém», afirma o Padre Ricardo Cardoso, reconhecendo de forma particular o trabalho desenvolvido pelo Cónego Fernando Afonso, que esteve mais de 50 anos à frente das comunidades, e pelo Cónego Júlio Esteves, também ele durante várias décadas ligado à vida pastoral da região.
«A minha primeira atitude é a de escutar, conhecer e aprender»
Para o novo pároco, cada sacerdote deixa a sua marca e a sua identidade, pelo que a nova missão não deve ser entendida como uma rutura, mas como continuidade de um caminho já construído. «Venho para dar continuidade a um caminho já iniciado, com a minha identidade, os meus dons e também as minhas limitações», explica.
Escutar antes de mudar
Os primeiros meses de contacto com as comunidades permitiram ao Padre Ricardo Cardoso encontrar, nas suas palavras, pessoas «generosas e profundamente ligadas à vida da Igreja», destacando o sentido de pertença, a disponibilidade para colaborar e a abertura a novos desafios.
É precisamente a partir desta realidade que pretende desenvolver a sua missão. O novo pároco afirma não ser adepto de «mudanças abruptas» nem de experiências pastorais motivadas apenas pela novidade, defendendo antes um caminho marcado pelo discernimento, pela escuta e pelo trabalho conjunto.
«Antes de idealizar uma paróquia à minha medida», refere, pretende refletir com os leigos mais comprometidos sobre os caminhos a percorrer, procurando encontrar, em conjunto, respostas pastorais adequadas aos desafios atuais.
Entre as áreas a que gostaria de dedicar particular atenção estão a catequese, os escuteiros e os jovens, que considera fundamentais para o presente e o futuro das comunidades. Sublinha também a necessidade de uma presença próxima junto de quem enfrenta maiores dificuldades, tanto materiais como espirituais, para que a Igreja continue a ser «uma presença próxima, acolhedora e capaz de manifestar concretamente a esperança do Evangelho».
Uma missão que também passa por aprender
A entrevista evidencia ainda uma dimensão que o Padre Ricardo Cardoso considera essencial no ministério sacerdotal: a capacidade de aprender com as próprias comunidades.
Depois de seis anos em Roma, sobretudo dedicados ao estudo e à formação, reconhece que o contacto com diferentes pessoas, culturas e realidades lhe permitiu alargar horizontes, mas afirma chegar a Estremoz também com a consciência de que tem muito a aprender.
Nesse processo, tem procurado conhecer os costumes, a forma de comunicar e de celebrar e a identidade própria de cada comunidade. A experiência de acompanhar seis paróquias diferentes constitui, segundo o sacerdote, uma verdadeira «escola de serviço».
Para o futuro, aponta o desejo de ver crescer «o sentido de comunidade, a participação dos leigos na vida pastoral e a capacidade de caminhar juntos», colocando os dons de cada pessoa ao serviço da missão da Igreja.
A nova missão do Padre Ricardo Cardoso começa, assim, com um olhar atento à história recebida e com a vontade de construir, em conjunto com as comunidades, os próximos passos do caminho pastoral.
Entrevista: A Defesa, Rosário Silva.
