Próximo ano pastoral será focado na revitalização das comunidades cristãs

A reunião geral do clero da Arquidiocese de Évora, realizada nesta passada segunda-feira, juntou cerca de sessenta sacerdotes e diáconos do presbitério diocesano e marcou o início do novo ano, com a apresentação das linhas gerais já definidas para o próximo Plano Pastoral, dedicado ao tema: “Comunidade Cristã: Fidelidade e Renovação”.

Após a oração inicial, D. Francisco Senra Coelho, Arcebispo, abriu os trabalhos, aproveitando para apresentar a comunidade dos Padres Capuchinhos, chegada recentemente à arquidiocese, onde assumiu a responsabilidade pela Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, em Samora Correia e também o P. Rafael Morais, da Comunidade Canção Nova, ordenado sacerdote no passado mês de Junho.

Numa breve reflexão, D. Francisco fez referência ao Simpósio do Clero, decorrido em Fátima e sublinhou o significado e a importância de “ser presbítero no presbitério”, com o que isso implica de compromisso na construção da comunhão e da unidade da Igreja Diocesana.

Coube ao P. Mário Tavares a apresentação das linhas gerais do próximo Plano Pastoral que será o primeiro de um triénio focado na Comunidade Cristã.

Lembrou que “Ser fiel ao depósito da fé e ter a sabedoria audaz da renovação nas encruzilhadas do tempo é o anseio que cada comunidade deve abraçar. A fidelidade e a renovação são os parâmetros do sobressalto cristão que nos fará discernir os caminhos da salvação em Cristo próprios de cada época”.

 O Plano articula-se em quatro eixos interligados.

O primeiro deles refere-se à necessidade de formação e propõe a realização de formação específica para Leigos em ordem aos vários serviços e ministérios, centrada, neste primeiro ano, na eclesiologia e na liturgia. O P. Francisco Couto encarregou-se de apresentar os materiais já elaborados que prevêem conteúdos distribuídos por nove módulos a serem usados pelas paróquias e grupos locais.

Em segundo lugar, pretende-se valorizar e revitalizar as estruturas fundamentais da comunidade, concretamente os Conselhos Pastorais, Económicos e outros órgãos de participação, numa linha de aprofundamento de uma maior sinodalidade efectiva.

O terceiro eixo centra-se nos Ministérios Laicais e procurará reconhecer e valorizar os carismas presentes na comunidade colocando-os ao serviço da evangelização. Lembrando a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, referiu-se que “Tais ministérios, novos na aparência mas muito ligados a experiências vividas pela Igreja ao longo da sua existência, por exemplo, os de catequistas, de animadores da oração e do canto, de cristãos devotados ao serviço da Palavra de Deus ou à assistência aos irmãos em necessidade, ou ainda os de chefes de pequenas comunidades, de responsáveis por movimentos apostólicos, ou outros responsáveis, são preciosos para a implantação, para a vida e para o crescimento da Igreja e para a sua capacidade de irradiar a própria mensagem à sua volta e para aqueles que estão distantes”.

O quarto e último eixo pretende valorizar o Diaconado Permanente. Na nossa arquidiocese, regista-se uma experiência muito rica com a ordenação de três grupos de diáconos permanentes nas últimas quatro décadas, que têm sido de grande auxílio nas comunidades em que estão inseridos. Por isso, os bons frutos da experiência aconselham a aprofundar este caminho eclesial. Assim, o Plano indica que “depois de um tempo de sensibilização e discernimento, um novo grupo de candidatos iniciará a sua experiência formativa em ordem à ordenação diaconal. O curso será organizado e ministrado pelo Instituto Superior de Teologia de Évora que tem assumido este serviço desde a formação dos primeiros diáconos diocesanos”.

Da parte da tarde, representantes do Movimento Laudato Si (rede global que conecta católicos e organizações de base para promover ações climáticas e de justiça social) apresentou o Programa Eco Igrejas Portugal que tem como missão envolver igrejas e comunidades de fé no caminho da sustentabilidade e do cuidado com a Criação. Esta é uma iniciativa interconfessional e resulta da cooperação entre A ROCHA (Associação Cristã de Estudos e Defesa do Ambiente) , a Aliança Evangélica Portuguesa, o COPIC – Conselho Português de Igrejas Cristãs, a Conferência Episcopal Portuguesa e a REDE Cuidar da Casa Comum.

Este programa tem como principais eixos de atuação promover a ética da sustentabilidade; oferecer formação e recursos que ajudem a compreender o papel de cada um na proteção da Criação; divulgar boas práticas ambientais; aproximar as igrejas de especialistas em ecologia, promovendo recomendações práticas para uma transição sustentável; gerar impacto positivo, envolvendo comunidades de fé e sociedade em ações concretas e mensuráveis que cuidem do ambiente; incentivar estilos de vida mais simples e sustentáveis, alinhados com uma ecologia integral que respeite a vida e a dignidade de todos.

Em Évora, a Paróquia de Nossa Senhora da Saúde vai acolher um projecto piloto deste Programa Eco Igrejas que, espera-se, possa ser replicado noutras comunidades.

A terminar, o Arcebispo de Évora lembrou a necessidade de o clero diocesano mobilizar e motivar as comunidades para a participação no Dia da Igreja Diocesana, a realizar no próximo dia 5 de Outubro, em que todo o Plano e suas principais iniciativas serão apresentadas, marcando a abertura do Ano Pastoral 2026-2027.

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ARQUIDIOCESE DE ÉVORA