Rosário Silva
Na Missa de Quinta-feira Santa, D. Francisco Senra Coelho sublinhou o lava-pés como expressão máxima da caridade e alertou para o risco de viver a fé sem compromisso com os outros
Na Missa vespertina da Ceia do Senhor, que marca o início do Tríduo Pascal, o arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, destacou na homilia da Eucaristia, o sacerdócio e a caridade fraterna como os três pilares desta celebração, sublinhando o gesto do lava-pés como síntese do Evangelho e expressão máxima do serviço cristão. “A Eucaristia – máxima expressão da doação de Jesus Cristo – é apresentada através de um gesto de caridade fraterna”, afirmou.
Partindo da tradição da Páscoa judaica, o prelado recordou que a Última Ceia de Jesus dá pleno sentido ao caminho de libertação iniciado no Êxodo, apresentando Cristo como o verdadeiro Cordeiro Pascal. “Cristo se oferece na Eucaristia e pede aos discípulos […] que se ofereçam aos irmãos através do serviço da caridade fraterna”, sublinhou.
A partir da carta de São Paulo aos Coríntios, D. Francisco Senra Coelho alertou para o risco de celebrar a Eucaristia de forma incoerente, lembrando que desde os primeiros tempos da Igreja houve tentações de egoísmo e desigualdade. Evocando a repreensão do apóstolo, advertiu para o perigo de transformar a Ceia do Senhor “num rito sumptuoso e sem espiritualidade eucarística, marcada pelo amor”.
Centrando-se no Evangelho de São João, o arcebispo explicou que o gesto do lava-pés revela o sentido mais profundo da fé cristã: servir e dar a vida pelos outros. “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”, citou, para reforçar que o primeiro passo é deixar-se amar por Deus. A partir daí, acrescentou, nasce o compromisso de “lavarmos os pés uns aos outros”, assumindo com humildade o cuidado pelos irmãos.
foto: cnevora
