Na solenidade do Pentecostes, D. Francisco Senra Coelho apelou a uma Igreja presente no mundo atual com “a linguagem da humanização” e da coerência, denunciando o desencanto, a violência e a manipulação que marcam a sociedade contemporânea. Nove adultos receberam os Sacramentos da Iniciação Cristã e cerca de uma centena de jovens foram crismados.
Rosário Silva
A Catedral de Évora acolheu neste Domingo de Pentecostes o Pontifical presidido pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, numa celebração marcada pela administração dos Sacramentos da Iniciação Cristã a nove catecúmenos e pelo Sacramento da Confirmação a cerca de uma centena de jovens e adultos de várias paróquias, movimentos e da Pastoral Universitária.
Na homilia, o prelado começou por sublinhar o significado da Catedral enquanto “Igreja Mãe” e “Casa de Deus”, acolhendo uma assembleia marcada pela diversidade de gerações, culturas e origens, refletindo, segundo afirmou, “a riqueza da Igreja na sua catolicidade”.
Ao longo da reflexão, D. Francisco Senra Coelho apresentou o Pentecostes como a plenitude da Páscoa e como o momento em que o Espírito Santo transforma o medo em coragem e inaugura a missão da Igreja no mundo. Evocando a narrativa bíblica do Cenáculo, recordou que os discípulos passaram de uma atitude de receio e portas fechadas para uma presença pública e evangelizadora, graças ao dom do Espírito.
O Arcebispo destacou que essa primeira comunidade cristã comunicava através de uma linguagem universal, compreensível por todos: “Quem não entende o amor? Quem não entende o carinho? Quem não entende a honestidade, a transparência, a atitude de compromisso?”, questionou.
Numa das passagens mais marcantes da homilia, D. Francisco Senra Coelho fez uma leitura crítica da atualidade, considerando que o mundo vive “um tempo difícil, conturbado, enevoado, muito opaco”, marcado pela incerteza, pelo relativismo e pela perda de referências éticas e humanas.
“Vivemos demasiadamente o cinismo, demasiadamente a atitude maquiavélica, os truques entre palavras e retóricas, mentiras e meias-verdades que levam à revolta, ao desencanto com a injustiça e, por isso, à violência e à guerra”, afirmou.
Perante este cenário, defendeu ser “urgente que a Igreja esteja viva no mundo de hoje” através de “uma linguagem que não precisa de legenda”: “a linguagem da coerência, da vida, do compromisso com o ser humano, a linguagem do amor”.
Para o Prelado, o testemunho concreto da solidariedade, da lealdade, do perdão e da humanização continua a ser a forma mais credível de anunciar o Evangelho no século XXI. “O ser amigo, o dar a vida pelo outro, o perdoar, não carece de legenda”, afirmou, acrescentando que será através dos cristãos que “o homem de hoje tocará o Evangelho”.
Dirigindo-se particularmente aos jovens e aos que receberam os sacramentos, D. Francisco Senra Coelho deixou uma forte mensagem de esperança, apelando a que sejam “sementes vivas de esperança” nos diferentes contextos da sociedade: universidade, família, vida profissional, associativa e política.
“Que sejais esperança que se toca, que se experimenta”, pediu, incentivando os presentes a serem agentes de humanização num mundo marcado pela divisão e pela violência.
Na celebração, nove catecúmenos receberam o Batismo, a Primeira Comunhão e a Confirmação, enquanto cerca de uma centena de fiéis, sobretudo jovens, foi crismada, num momento que o Prelado descreveu como sinal de uma Igreja viva e presente no mundo contemporâneo.
Neste Domingo de Pentecostes, várias paróquias da Arquidiocese celebraram também o Sacramento da Confirmação. Na cidade de Évora, os grupos de preparação reuniram-se na Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, numa celebração presidida por D. Francisco Senra Coelho, durante a manhã. Já na Paróquia da Sagrada Família, a Solenidade do Pentecostes, com Crismas, foi presidida pelo Bispo Emérito de Évora, D. José Alves.
