Etiqueta: Pastoral da Saúde

20 Fev 2024

24 de Fevereiro’24: Encontro Sectorial da Pastoral da Saúde na Arquidiocese de Évora (com vídeo)

No dia  24 de fevereiro, em Portel, decorrerá o terceiro e último Encontro Sectorial da Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Évora, que tem como tema: “Longevidade, Solidão e Esperança”.

O programa será: 10h, Oração da manhã; 10h15, Tema 1: “Saúde e Velhice”; 11h, intervalo; 11h15, Tema 2: “Longevidade: símbolo e oportunidade”; 12h, Eucaristia.

09 Fev 2024

11 de fevereiro de 2024: 32º Dia Mundial do Doente (Entrevista completa ao Doutor João Mendes da Pastoral da Saúde) (com Vídeo)

O 32.º Dia Mundial do Doente é celebrado pela Igreja Católica a 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, e na mensagem para este ano, o Papa escolheu como tema “Não é conveniente que o homem esteja só”.

Em entrevista à Esperança Multimédia, que pode ser vista na íntegra nos canais digitais da Arquidiocese e do jornal “a defesa”, o Doutor João Mendes, membro da Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Saúde, faz uma reflexão sobre a Mensagem do Santo Padre:

Esperança Multimédia – A solidão é a nota mais forte que o Papa deixa na sua mensagem. Solidão que se vive em vários contextos e que tem múltiplas causas. Que reflexão faz a partir desta mensagem do Santo Padre?

João Mendes – De facto, uma das ideias centrais da mensagem do Papa é a problema da solidão: cujo título é como referiu, Não é conveniente que o homem esteja só: cuidar do doente, cuidando das relações.

Em primeiro lugar queria dizer, que este ano faz 40 anos que o Papa João Paulo II ofereceu ao mundo um documento notável sobre o sofrimento humano, na sequência da sua experiência de doença motivada pela tentativa de assassínio de que foi vítima, a 13 de Maio de 1980, escreveu a Encíclica Salvifici Doloris, publicada a 11 de Fevereiro de 1984, que constitui a carta magna da Pastoral da Saúde.

Esta encíclica ajuda-nos olhar para a pessoa como o centro da intervenção humana no mundo da saúde e termina com uma interpretação maravilhosa da parábola do Bom Samaritano em que este estrangeiro faz, o que tem ao seu alcance, dar saúde e mais qualidade de vida ao homem caído na estrada de Jericó. (Lc.10. 25-37)

A comissão diocesana pensou em celebrar esta data com uma jornada de formação para profissionais de saúde cujo tema ainda não está definitivamente decidido, mas irá ser ligado a esta encíclica.

Voltando à necessidade de refletirmos sobre a solidão. É urgente percebermos a vivência de cada um, relativamente a este sentimento humano, muitas vezes tão doloroso e que pode ter consequências muito graves para muitas pessoas. Muitos dias surgem-nos, nos meios de comunicação social, jovens e adultos que optam por terminar a vida.

É, por isso, que se torna urgente refletir sobre o sofrimento relacionado com esta problemática e encontrar os caminhos para o superar e descobrir para ele um sentido mais profundo. Penso que é a falta de sentido para a vida, que se revela a grande causa de sofrimento de muitas pessoas que entram em processos de solidão e, posteriormente, em estados depressivos com consequências graves ou mesmo fatais.

Existe uma correlação entre a solidão e o isolamento social. A solidão é um fenómeno psicológico com implicações profundas de ordem espiritual, pode vir acompanhado de inquietação, desânimo, ansiedade, sensação de isolamento e desejo de ser útil a alguém, ela agrega sentimento de perda e a vida passa a ser despropositada, nesta situação, pode ou não existir isolamento social.

O isolamento social refere-se a aspetos físicos e geográficos que envolvem a separação, o seu significado é a completa privação de contatos sociais e, este estado pode ser imposto ou voluntário.

A solidão é de ordem psicológica e espiritual enquanto o isolamento social pode ser de ordem física.

Isolamento social é estar só́, a solidão é sentir-se só́.

A velhice é um daqueles momentos em que a solidão pode ser vivenciada com mais facilidade. Por definição, esta fase da vida é acompanhada por uma sucessão de perdas, como trabalho, posição social, cônjuge, algumas capacidades físicas, etc., que facilitam a vivência da solidão.

A experiência subjetiva da solidão é tanto mais intensa quanto mais presente é a doença.

Por outro lado, a solidão pode ter graves consequências negativas para a saúde. A nível físico, sabemos que tem um efeito enfraquecedor do sistema imunológico e consequente redução dos meios de defesa do nosso organismo.

Acho que temos que olhar para este problema como um problema que nos afeta e o Papa traz este problema para a reflexão atual.

Logo no segundo e terceiro parágrafos da mensagem identifica aqueles homens e mulheres que devem ser o foco da intervenção no âmbito da saúde:

Francisco então escreve que pensa, por exemplo, “em todos aqueles que permaneceram terrivelmente sós durante a pandemia de Covid-19: pacientes que não podiam receber visitas, mas também enfermeiros, médicos e pessoal auxiliar, todos sobrecarregados de trabalho e confinados em espaços isolados. E não esqueçamos quantos tiveram de enfrentar sozinhos a hora da morte, assistidos pelos profissionais de saúde, mas longe das suas famílias”.

Então o Papa associa-se, pesaroso, “à condição de sofrimento e solidão de quantos, por causa da guerra e suas trágicas consequências, se encontram sem apoio nem assistência: a guerra é a mais terrível das doenças sociais e as pessoas mais frágeis pagam-lhe o preço mais alto”.

O mundo já ultrapassou a situação de pandemia, mas vivemos em tempos de guerras, e o sofrimento humano não pode ser esquecido. Podemos aqui verificar que o isolamento social e solidão estão presentes naqueles povos em guerra para além da falta das condições mais básica de sobrevivência.

Podemos dizer que a solidão é um problema mais grave do que possamos imaginar.

 

 

Esperança Multimédia – A cultura de descarte e cada vez mais individualista que vivemos é outro dos pontos da mensagem do Santo Padre. Como é que a Igreja e em particular a Pastoral da Saúde pode “combater” esta cultura?

João Mendes – O Papa Francisco em relação à cultura do descarte foi revisitar a Carta Fratelli TuTTi  – referindo que «as pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se “ainda não servem” (como os nascituros) ou “já não servem” (como os idosos)» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 18).”

A ideia do descarte, aos poucos foi-se tornando uma presença bastante frequente, em todas as Culturas. Todas aquelas realidades que tinham algum defeito, desgastes ou começaram a ser estorvo e outras motivações eram simplesmente descartadas. Eram destinados ao lixo… mas com frequência os próprios seres humanos, são descartados como se fossem coisas desnecessárias.

A pouco a pouco foi-se criando a “Cultura do Descarte”. Uma realidade que com o caminhar da História se foi tornando uma presença muito forte em todas as Culturas.

Já percebeu que as pessoas se têm tornado cada vez mais distantes uma das outras…

Isso pode ser devido à desumanização, cada vez mais presente na sociedade.

A sociedade está rodeada de grandes quantidades de fatores que a limitam e condicionam o dia a dia de muitas pessoas. Assim, inundados pela nova realidade, muitas vezes anestesiados pelo excesso de informações instantâneas, começa-se a perceber uma falsa conexão entre as pessoas, provocando o que se chama de desumanização.

Neste mundo cada vez mais globalizado, as sociedades passam a viver imersas em planos de realidades diferentes. E quem não produz, quem não serve, quem é velho ou doente e frágil é descartado.

Na pastoral da saúde, nas nossas paróquias temos que ter um olhar atento para os mais fracos e mais frágeis da sociedade. Não nos devemos esquecer dos profissionais da saúde, médicos enfermeiros, técnicos, auxiliares e voluntários que vivem muitos momentos de dificuldades no exercício da sua missão. O Papa não esqueceu ninguém nesta mensagem…

Todos, todos todos …, somos úteis no mundo em que vivemos.

É necessário aproximar as diferentes gerações: bisavós, avós, filhos e netos. É importante solidificar e cultivar as relações familiares, as relações de vizinhança, as relações dos membros das nossas comunidades.

Penso que os vários movimentos paroquiais que visitam doentes, contactam pessoas necessitadas de ajuda económica e espiritual se devem unir e ter estratégias conjuntas de intervenção social.

Na nossa paróquia, a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Évora) todos estes movimentos se juntaram e com o nome de “Somos UM” definiram uma estratégia de intervenção comum.

Fomos criados para estar juntos e não sozinhos diz Francisco logo no início da mensagem deste ano.

 

Esperança Multimédia – “O primeiro cuidado de que necessitamos na doença é uma proximidade cheia de compaixão e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas relações, de todas as suas relações: com Deus, com os outros. Esta é a missão fundamental da Pastoral da Saúde?

João Mendes – Como referi no fim da questão anterior Francisco diz-nos que “fomos criados para estar juntos não sozinhos” e no subtítulo da mensagem refere então “cuidar do doente, cuidando das relações”. Penso que estamos aqui a refletir sobre a dimensão espiritual do homem, na sua relação com Deus, com ele próprio, com o ambiente e com os que o rodeiam. É sobretudo através da espiritualidade que se manifesta o sentido para a vida.

Olhar para a dimensão espiritual do homem é uma missão fundamental da pastoral da saúde.

A Pastoral da saúde tem 3 grandes objetivos:

  1. a) Construir a paróquia como fonte de saúde integral.
  2. b) Desenvolver o serviço cuidador de Cristo aos doentes
  3. c) Defender e acompanhar os doentes mais necessitados.

Nos contactos que temos com as comunidades paroquiais na diocese as atividades têm sempre em mente estes objetivos com o propósito de:

– Despertar a consciência da missão curadora da paróquia

– Recuperar o lugar privilegiado do doente na comunidade paroquial

– Manter a comunidade junto do doente

– O acompanhamento dos doentes mais necessitados

Este ano os temas são:

– a solidão, a saúde e a velhice.

– Longevidade, símbolo e oportunidade

Celebramos também a Eucaristia no final do encontro.

Estivemos em Monforte no dia 27 de Janeiro de 2024 e em Foros de Vale Figueira, 3 de Fevereiro de 2024. Estaremos ainda em Portel, 24 de Fevereiro de 2024.

A Pastoral da Saúde é o serviço organizado da Igreja de assistência espiritual às pessoas doentes. Não podendo participar na celebração comunitária, a comunidade encarrega-se de ir até eles, prestando-lhes ajuda prática, conforto humano e espiritual e facilitando o seu acesso aos sacramentos.

 

Esperança Multimédia – O Papa não esquece também todos os profissionais da saúde, que durante a Pandemia também tiveram experiências muito fortes com sobrecarregamento de trabalho e em condições muito difíceis. Como é que a Pastoral da Saúde acompanha os profissionais de saúde e todos aqueles cuja missão é cuidar do outro fragilizado pela doença?

João Mendes – De facto, na mensagem Francisco não esqueceu os profissionais de saúde dado que são aqueles que giram à volta do núcleo central que é o doente, e faz referência sobretudo ao papel importante que desempenharam nos anos trágicos da pandemia.

Os profissionais de saúde, os voluntários, os visitadores de doentes e todos os que se dedicam aos mais frágeis também precisam de ser acompanhados na sua missão de cuidar dos outros.

Em termos concretos de acompanhamento temos tido algumas atividades anuais essencialmente viradas para os profissionais de saúde:

– Um encontro de reflexão de natureza espiritual

– Uma jornada de formação com temas que trazem contributos importantes para se olhar para a pessoa e para as suas necessidades.

– Uma palestra com um tema desenvolvido por um perito na área do tema proposto (geralmente são temas da área da ética ou dos problemas que afetam o mundo da saúde no momento e que são desenvolvidos por figuras de relevo nacional.)

 

Na celebração de mais um Dia Mundial do Doente, que mensagem gostaria de deixar à Arquidiocese de Évora?

João Mendes – Acho importante acentuar alguns aspetos da mensagem do Papa:

 Francisco alerta-nos para uma “verdade central da nossa vida: viemos ao mundo porque alguém nos acolheu, somos feitos para o amor, somos chamados à comunhão e à fraternidade.

Assim somos responsáveis a viver em sociedade e a preocuparmo-nos uns pelos outros.

Dirigindo-se aos doentes conforta-os dizendo “A vós que vos encontrais na doença, passageira ou crónica, quero dizer-vos: Não tenhais vergonha do vosso desejo de proximidade e ternura. Não o escondais e nunca penseis que sois um peso para os outros. A condição dos doentes convida-nos a todos a abrandar os ritmos exasperados em que estamos imersos e a reentrar em nós mesmos.

E dirigindo-se a todos nós cristão convoca-nos a cuidar de quem sofre e está sozinho, porventura marginalizado e descartado. Temos que encontrar mecanismos e estratégias de combater a cultura do individualismo, da indiferença, do descarte e fazer crescer a cultura da ternura e da compaixão.

E no final da mensagem dirige-se novamente aos doentes, aos frágeis, aos pobres acentuando que estes estão no coração da Igreja e devem estar também no centro das nossas solicitudes humanas e cuidados pastorais. Não o esqueçamos! E confiemo-nos a Maria Santíssima, Saúde dos Enfermos, pedindo-Lhe que interceda por nós e nos ajude a ser artífices de proximidade e de relações fraternas.