Etiqueta: Papa Francisco

27 Fev 2024

Jubileu 2025: Vaticano publica guia para «Ano da Oração» convocado pelo Papa

O Dicastério para a Evangelização (Santa Sé) publicou o subsídio ‘Ensina-nos a rezar’, que está disponível na internet, para este ‘Ano da Oração’ convocado pelo Papa Francisco para preparar o Jubileu de 2025.

“O livreto é inspirado no Magistério de Francisco e pretende ser um convite a intensificar a oração como um diálogo pessoal com Deus, para poder refletir sobre a própria fé e o compromisso no mundo de hoje, nas diferentes esferas em que se é chamado a viver, para que possa ser alimentado um ardor renovado para a evangelização do homem moderno”, divulga o portal online ‘Vatican News’, noticiou a Agência ECCLESIA.

O subsídio ‘Ensina-nos a rezar’, título tirado do capítulo 11 do Evangelho de São Lucas, está dividido em capítulos, direcionados para as comunidades paroquiais, as famílias, os jovens, os mosteiros, a catequese, e retiros espirituais, também oferece “indicações e conselhos” sobre como viver “plenamente o diálogo com Deus na relação com os outros”.

Com 10 capítulos, este novo subsídio do Vaticano, para o atual Ano da Oração, começa com o ‘Ensinamento do Papa Francisco sobre a oração’, depois apresenta diferentes formas de rezar, os restantes capítulos são: ‘A oração na comunidade paroquial’, ‘A oração na família’, ‘A oração dos jovens’, ‘Retiros espirituais sobre a oração’, ‘Catequese sobre a oração’, ‘A oração dos enclausurados’, ‘A oração nos santuários’ e ‘A oração dos fiéis para o Jubileu de 2025’.

“Nas suas catequeses, o Papa indicou em várias ocasiões como a oração é o caminho para entrar em contato com a verdade mais profunda de nós mesmos, onde está presente a própria luz de Deus, como ensinou Santo Agostinho”, lê-se na introdução que sublinha o incentivo a uma oração constante porque transforma “não só a pessoa, mas também a comunidade que a circunda, inclusive onde o mal parece levar vantagem”.

“Que a oração seja, portanto, para cada cristão, a bússola que orienta, a luz que ilumina o caminho e a força que sustenta na peregrinação que levará a passar pela Porta Santa; chegar com um coração pronto para acolher os dons da graça e do perdão que o Jubileu oferecerá”, divulga o ‘Vatican News’.

‘Ensina-nos a rezar’ que está disponível, em italiano, no portal do Dicastério para a Evangelização na internet, vai ser traduzido para espanhol, português, francês, inglês e polaco.

Este subsídio faz parte de uma série de ferramentas pensadas para acompanhar as comunidades cristãs e cada fiel rumo ao Ano Santo de 2025.

No dia 21 de janeiro, o Papa proclamou um ano de oração para preparar as celebrações do Jubileu 2025, cuja porta santa vai ser aberta no próximo mês de dezembro.

“Começamos o ano da oração, isto é, um ano dedicado a descobrir o grande valor e a absoluta necessidade da oração, da oração na vida pessoal, na vida da Igreja, da oração no mundo”, referiu Francisco, após a recitação do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano.

O Jubileu 2025 coincide com os 1700 anos do Concílio de Niceia, que abordou a data da celebração da Páscoa, e terá uma dimensão ecuménica numa das rotas de peregrinação propostas, o ‘Iter europaeum’, 28 Igrejas que se referem a 27 países europeus e à União Europeia, com alguns templos de outras comunidades cristãs.

O ano santo de 2025 vai ser o 27.º jubileu ordinário da história da Igreja; o Papa Bonifácio VIII instituiu, em 1300, o primeiro ano santo – com recorrência centenária, passando depois, segundo o modelo bíblico, cinquentenária e finalmente fixado de 25 em 25 anos.

O último jubileu foi o ano santo extraordinário dedicado à Misericórdia (29 de novembro de 2015 a 20 de novembro de 2016), convocado com a Bula ‘Misericordiae Vultus’ do Papa Francisco.

22 Fev 2024

4.ª Conferência sobre o Relatório de Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (com vídeos)

No dia 17 de fevereiro, decorreu a quarta sessão das Conferências ZOOM sobre o Relatório de Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, feitas pelo Diretor do Departamento de Pastoral Social da Arquidiocese de Évora, Cónego Silvestre Marques.

Reveja aqui a IV Conferência – 17 de fevereiro de 2024:


Reveja aqui a III Conferência – 3 de fevereiro de 2024:


Reveja aqui a II Conferência – 20 de janeiro de 2024:

 


Reveja aqui a I Conferência – 6 de janeiro de 2024:

 


 

 


 

14 Fev 2024

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024

Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade

 

Foto: Vatican Media

Queridos irmãos e irmãs!

Quando o nosso Deus Se revela, comunica liberdade: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). Assim inicia o Decálogo dado a Moisés no Monte Sinai. O povo sabe bem de que êxodo Deus está a falar: traz ainda gravada na sua carne a experiência da escravidão. Recebe as «dez palavras» no deserto como caminho de liberdade. Nós chamamos-lhes «mandamentos», fazendo ressaltar a força amorosa com que Deus educa o seu povo; mas, de facto, o chamamento para a liberdade constitui um vigoroso apelo. Não se reduz a um mero acontecimento, mas amadurece ao longo dum caminho. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito (vemo-lo muitas vezes lamentar a falta do passado e murmurar contra o céu e contra Moisés), também hoje o povo de Deus traz dentro de si vínculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos. A Quaresma é o tempo de graça em que o deserto volta a ser – como anuncia o profeta Oseias – o lugar do primeiro amor (cf. Os 2, 16-17). Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravidões e experimente a passagem da morte à vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a Si e sussurra ao nosso coração palavras de amor.

O êxodo da escravidão para a liberdade não é um caminho abstrato. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. Quando o Senhor, da sarça ardente, atraiu Moisés e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que vê e sobretudo escuta: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das mãos dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel» (Ex 3, 7-8). Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Perguntemo-nos: E chega também a nós? Mexe connosco? Comove-nos? Há muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une.

Na minha viagem a Lampedusa, à globalização da indiferença contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» (Gn 3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9). O caminho quaresmal será concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o domínio do Faraó. É um domínio que nos deixa exaustos e insensíveis. É um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a água estão poluídos por ele, mas as próprias almas acabam contaminadas por tal domínio. De facto, embora a nossa libertação tenha começado com o Batismo, permanece em nós uma inexplicável nostalgia da escravatura. É como uma atração para a segurança das coisas já vistas, em detrimento da liberdade.

Quero apontar-vos, na narração do Êxodo, um detalhe de não pequena importância: é Deus que vê, que Se comove e que liberta, não é Israel que o pede. Com efeito, o Faraó extingue também os sonhos, rouba o céu, faz parecer imutável um mundo onde a dignidade é espezinhada e os vínculos autênticos são negados. Por outras palavras, o Faraó consegue vincular-nos a ele. Perguntemo-nos: Desejo um mundo novo? E estou disposto a desligar-me dos compromissos com o velho? O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao céu e comove o coração de Deus. Assemelha-se àquela nostalgia da escravidão que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avançar. O êxodo pode ser interrompido: não se explicaria doutro modo porque é, que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos.

Deus não Se cansou de nós. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos é novamente dirigida: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). É tempo de conversão, tempo de liberdade. O próprio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Espírito para o deserto a fim de ser posto à prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, tê-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: é o Filho encarnado. Ao contrário do Faraó, Deus não quer súbditos, mas filhos. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido.

Isto comporta uma luta: assim no-lo dizem claramente o livro do Êxodo e as tentações de Jesus no deserto. Com efeito, à voz de Deus, que diz «Tu és o meu Filho amado» (Mc 1, 11) e «não haverá para ti outros deuses na minha presença» (Ex 20, 3), contrapõem-se as mentiras do inimigo. Mais temíveis que o Faraó são os ídolos: poderíamos considerá-los como a voz do inimigo dentro de nós. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, paralisar-nos-ão. Em vez de nos fazer encontrar, contrapor-nos-ão. Mas existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que não cedeu ao fascínio da mentira. Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem (cf. Sal 115, 4-8), os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo.

É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presença do irmão ferido. O amor de Deus e o do próximo formam um único amor. Não ter outros deuses é parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará. Para isso há que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimensão contemplativa da vida, que a Quaresma nos fará reencontrar, mobilizará novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de ameaças e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal é o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão.

A forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado. Convido toda a comunidade cristã a fazer isto: oferecer aos seus fiéis momentos para repensarem os estilos de vida; reservar um tempo para verificarem a sua presença no território e o contributo que oferecem para o tornar melhor. Ai se a penitência cristã fosse como aquela que deixou Jesus triste! Também a nós diz Ele: «Não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam» (Mt 6, 16). Pelo contrário, veja-se a alegria nos rostos, sinta-se o perfume da liberdade, irradie aquele amor que faz novas todas as coisas, a começar das mais pequenas e próximas. Isto pode acontecer em toda a comunidade cristã.

Na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança. Quero dizer-vos, como aos jovens que encontrei em Lisboa no verão passado: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» (Discurso aos estudantes universitários, 03/VIII/2023). É a coragem da conversão, da saída da escravidão. A fé e a caridade guiam pela mão esta esperança menina. Ensinam-na a caminhar e, ao mesmo tempo, ela puxa-as para a frente[1].

Abençoo-vos a todos vós e ao vosso caminho quaresmal.

 

Roma – São João de Latrão, no I Domingo do Advento, 3 de dezembro de 2023.

[Francisco]

[1] Cf. CHARLES PÉGUY, Il portico del mistero della seconda virtù, Milão 1978, 17-19 [tradução portuguesa: Os portais do mistério da segunda virtude, Lisboa, Paulinas 2014].

09 Fev 2024

Papa propõe Quaresma de mudança, com apelos à paz

O Papa assinalou hoje, dia 14 de fevereiro, no Vaticano, o início do tempo da Quaresma, no calendário litúrgico da Igreja Católica, deixando apelos à mudança interior e à paz, perante peregrinos de vários países.

“Vamos em frente neste processo de conversão na escuta da Palavra de Deus, na atenção aos irmãos e irmãs que precisam da nossa ajuda. E vamos em frente na intensificação da oração, sobretudo para pedir a paz no mundo”, declarou, durante a audiência geral, que decorreu no Auditório Paulo VI.

“Não nos esqueçamos nunca da martirizada Ucrânia, da Palestina e de Israel, que sofrem tanto. Rezemos por estes irmãos e irmãs, que sofrem com a guerra”, acrescentou.

Saudando os peregrinos e visitantes presentes neste encontro semanal, Francisco recordou que, na Polónia, decorre uma recolha de fundos para ajudar a Ucrânia, no começo da Quaresma.

“Perante tantas guerras, não fechemos o nosso coração aos necessitados. Que a oração, o jejum e a esmola sejam o caminho para construir a paz”, apelou.

A Quaresma, que tem início hoje, com a celebração de Cinzas, é um tempo litúrgico, de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (este ano a 31 de março).

“Somos chamados ao deserto. Através das práticas do jejum, da esmola e da oração, Jesus convida-nos à conversão. Que Deus nos acompanhe e nos abençoe nesta caminhada”, referiu o Papa, na saudação aos peregrinos de língua portuguesa.

Na Quaresma, que hoje iniciamos, somos chamados a converter-nos dos vícios e a voltarmos a uma vida em harmonia com Deus e com os nossos irmãos”.

A reflexão inicial abordou o vício da “acédia”, que o Papa colocou na origem da preguiça e considerou como “falta de cuidado”, sobretudo interior.

“Esta é uma tentação muito perigosa”, alertou, particularmente “quando o cansaço está no auge e as horas que estão pela frente parecem monótonas, impossíveis de viver.”

Francisco sublinhou que, para quem é “dominado pela acédia”, a vida “perde o sentido, a oração torna-se enfadonha, cada batalha parece sem sentido”.

“É um pouco como morrer antes da hora”, observou.

A reflexão apresentou como remédio para este problema espiritual a “paciência da fé”, como aconteceu com tantos santos, ao longo da história.

“Estes santos e santas ensinam-nos a atravessar a noite com paciência, aceitando a pobreza da fé”, precisou.

O Papa desafiou todos a conservar a fé no coração, “como as brasas permanecem debaixo das cinzas”.

“Convido-vos, no início desta Quaresma, a combater o vício da acédia com o entusiasmo de fé, confiando na poderosa presença de Jesus em nós”, recomendou.

Francisco preside esta tarde à Eucaristia, com bênção e imposição das Cinzas, na Basílica de Santa Sabina, em Roma, às 17h00 locais (menos uma hora em Lisboa), após a ‘Statio’ (momento de vigília) e a procissão penitencial desde a Igreja de Santo Anselmo, meia hora antes.

OC – Agência ECCLESIA

07 Fev 2024

Vídeo do Papa Francisco – FEVEREIRO 2024: Rezemos para que os doentes terminais e suas famílias (com vídeo)

Rezemos para que os doentes terminais e suas famílias recebam sempre os cuidados e o acompanhamento necessários, tanto do ponto de vista médico como humano.

Papa Francisco – FEVEREIRO 2024

Há duas palavras que, quando alguns falam de doenças terminais, as confundem: incurável e in-cuidável. E não são a mesma coisa.
Mesmo quando existam muito poucas possibilidades de cura, todos os enfermos têm direito ao acompanhamento médico, ao acompanhamento psicológico, ao acompanhamento espiritual, ao acompanhamento humano.
Às vezes não podem falar, às vezes pensamos que não nos conhecem, mas se lhes pegamos na mãos compreendemos que estão em sintonia.
Nem sempre se alcança a cura. Porém sempre podemos cuidar do doente, acariciar ao enfermo.
São João Paulo II dizia que “curar se é possível, cuidar sempre”.
E é aqui onde entram os cuidados paliativos, que garantem ao paciente não somente a atenção médica, mas também um acompanhamento humano e próximo.
As famílias não podem ficar sozinhas nesses momentos difíceis.
Seu papel é decisivo. Devem ter os meios adequados para desenvolver o apoio físico, o apoio espiritual, o apoio social.
Rezemos para que os doentes terminais e suas famílias recebam sempre os cuidados e o acompanhamento necessários, tanto do ponto de vista médico como humano.

24 Jan 2024

A caminho do Jubileu 2025: Papa convoca Ano de Oração (2024) para preparar celebrações

O Papa proclamou, no domingo, dia 21 de janeiro de 2024, um Ano de Oração para preparar as celebrações do Jubileu 2025, cuja porta santa vai ser aberta no próximo mês de dezembro.
“Começamos hoje o Ano da Oração, isto é, um ano dedicado a descobrir o grande valor e a absoluta necessidade da oração, da oração na vida pessoal, na vida da Igreja, da oração no mundo”, referiu Francisco, após a recitação do ângelus, no Vaticano, noticiou a Agência Ecclesia.

Falando desde a janela do apartamento pontifício, o Papa sublinhou o percurso que vai levar ao próximo ano santo.

“Os próximos meses vão conduzir-nos à abertura da porta santa, com que daremos início ao jubileu. Peço-vos que intensifiqueis a oração, para que nos preparemos para viver bem este acontecimento de graça e experimentar a força da esperança em Deus”, declarou.

O Papa adiantou ainda que o Dicastério para a Evangelização, da Santa Sé, vai oferecer “subsídios” para orientar este ano de oração.

O Jubileu 2025 coincide com os 1700 anos do Concílio de Niceia, que abordou a data da celebração da Páscoa, e terá uma dimensão ecuménica numa das rotas de peregrinação propostas, o ‘Iter europaeum’, 28 Igrejas que se referem a 27 países europeus e à União Europeia, com alguns templos de outras comunidades cristãs.

“Nestes dias, rezamos especialmente pela unidade dos cristãos”, recordou Francisco, recordando a semana (18-25 de janeiro) especialmente dedicada, todos os anos, à oração pela causa ecuménica.

O ano santo de 2025 vai ser o 27.º jubileu ordinário da história da Igreja.

O Papa Bonifácio VIII instituiu, em 1300, o primeiro ano santo – com recorrência centenária, passando depois, segundo o modelo bíblico, cinquentenária e finalmente fixado de 25 em 25 anos.

O último jubileu foi o ano santo extraordinário dedicado à Misericórdia (29 de novembro de 2015 a 20 de novembro de 2016), convocado com a Bula ‘Misericordiae Vultus’ do Papa Francisco.

Já no último dia de 2023, na celebração de ação de graças pelo ano que passou, Francisco tinha explicado que o ano antes do jubileu seria dedicado à oração.

“Um ano inteiro dedicado à oração. E que melhor mestra poderíamos ter do que a nossa Santa Mãe? Coloquemo-nos na sua escola: aprendamos com ela a viver cada dia, cada momento, cada ocupação com o olhar interior voltado para Jesus. Alegrias e dores, satisfações e problemas”, recomendou.

19 Jan 2024

21 de janeiro de 2024: Domingo da Palavra celebra-se nas Paróquias da Arquidiocese de Évora

A celebração do quinto Domingo da Palavra de Deus, instituído pelo Papa Francisco em 30 de setembro de 2019, será realizada a 21 de janeiro de 2024. O lema desta edição foi tirado do Evangelho de João: “Permanecei na minha Palavra” (Jo 8,31).

O setor para as questões fundamentais da evangelização no mundo do Dicastério para a Evangelização, encarregado pelo Papa de promover o evento, disponibilizou online um subsídio litúrgico-pastoral gratuito, útil para a vivência da Palavra de Deus e da oração na comunidade, na família e pessoalmente. O texto, disponível este ano somente em versão digital, pode ser descarregado on-line em português no site www.evangelizatio.va. Uma ferramenta que oferece propostas para incentivar um encontro profundo com a Palavra de Deus na comunidade, na família e na vida quotidiana, além de incluir artigos, meditações, textos para Adoração e sugestões pastorais.

O “Ano da Oração”

No Domingo da Palavra de Deus, segundo notícia do Vatican News, espera-se que o Papa estabeleça oficialmente o Ano da Oração, na preparação para o Jubileu de 2025. Depois de promover a reflexão sobre os documentos e o estudo dos frutos do Concílio Vaticano II em 2023, por vontade do Papa Francisco, 2024 será dedicado, nas dioceses do mundo, a redescobrir a centralidade da oração.

Paróquias da Arquidiocese celebram o Domingo da Palavra

O Domingo da Palavra de Deus também é assinalado nas Comunidades Paroquiais da Arquidiocese de Évora. Partilhamos algumas das iniciativas que tivemos conhecimento:

SOUSEL
MONTEMOR-O-NOVO
01 Jan 2024

1 de janeiro de 2024: Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO

DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2024

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PAZ

No início do novo ano, tempo de graça concedido pelo Senhor a cada um de nós, quero dirigir-me ao Povo de Deus, às nações, aos Chefes de Estado e de Governo, aos Representantes das diversas religiões e da sociedade civil, a todos os homens e mulheres do nosso tempo para lhes expressar os meus votos de paz.

1. O progresso da ciência e da tecnologia como caminho para a paz

A Sagrada Escritura atesta que Deus deu aos homens o seu Espírito a fim de terem «sabedoria, inteligência e capacidade para toda a espécie de trabalho» (Ex 35, 31). A inteligência é expressão da dignidade que nos foi dada pelo Criador, que nos fez à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26) e nos tornou capazes, através da liberdade e do conhecimento, de responder ao seu amor. Esta qualidade fundamentalmente relacional da inteligência humana manifesta-se de modo particular na ciência e na tecnologia, que são produtos extraordinários do seu potencial criativo.

Na Constituição pastoral Gaudium et spes, o Concílio Vaticano II reafirmou esta verdade, declarando que «sempre o homem procurou, com o seu trabalho e engenho, desenvolver mais a própria vida». [1] Quando os seres humanos, «recorrendo à técnica», se esforçam por que a terra «se torne habitação digna para toda a humanidade», [2] agem segundo o desígnio divino e cooperam com a vontade que Deus tem de levar à perfeição a criação e difundir a paz entre os povos. Assim o próprio progresso da ciência e da técnica – na medida em que contribui para uma melhor organização da sociedade humana, para o aumento da liberdade e da comunhão fraterna – leva ao aperfeiçoamento do homem e à transformação do mundo.

Justamente nos alegramos e sentimos reconhecidos pelas extraordinárias conquistas da ciência e da tecnologia, graças às quais se pôs remédio a inúmeros males que afligiam a vida humana e causavam grandes sofrimentos. Ao mesmo tempo, os progressos técnico-científicos, que permitem exercer um controle – até agora inédito – sobre a realidade, colocam nas mãos do homem um vasto leque de possibilidades, algumas das quais podem constituir um risco para a sobrevivência humana e um perigo para a casa comum. [3]

Deste modo os progressos notáveis das novas tecnologias da informação, sobretudo na esfera digital, apresentam oportunidades entusiasmantes mas também graves riscos, com sérias implicações na prossecução da justiça e da harmonia entre os povos. Por isso torna-se necessário interrogar-nos sobre algumas questões urgentes: quais serão as consequências, a médio e longo prazo, das novas tecnologias digitais? E que impacto terão elas sobre a vida dos indivíduos e da sociedade, sobre a estabilidade e a paz?

2. O futuro da inteligência artificial, por entre promessas e riscos

Os progressos da informática e o desenvolvimento das tecnologias digitais, nas últimas décadas, começaram já a produzir profundas transformações na sociedade global e nas suas dinâmicas. Os novos instrumentos digitais estão a mudar a fisionomia das comunicações, da administração pública, da instrução, do consumo, dos intercâmbios pessoais e de inúmeros outros aspetos da vida diária.

Além disso as tecnologias que se servem duma multiplicidade de algoritmos podem, dos vestígios digitais deixados na internet, extrair dados que permitem controlar os hábitos mentais e relacionais das pessoas para fins comerciais ou políticos, muitas vezes sem o seu conhecimento, limitando o exercício consciente da sua liberdade de escolha. De facto, num espaço como a web caraterizado por uma sobrecarga de informações, pode-se compor o fluxo de dados segundo critérios de seleção nem sempre enxergados pelo utente.

Devemos recordar-nos de que a pesquisa científica e as inovações tecnológicas não estão desencarnadas da realidade nem são «neutrais», [4] mas estão sujeitas às influências culturais. Sendo atividades plenamente humanas, os rumos que tomam refletem opções condicionadas pelos valores pessoais, sociais e culturais de cada época. E o mesmo se diga dos resultados que alcançam: enquanto fruto de abordagens especificamente humanas do mundo envolvente, têm sempre uma dimensão ética, intimamente ligada às decisões de quem projeta a experimentação e orienta a produção para objetivos particulares.

Isto aplica-se também às formas de inteligência artificial. Desta, até ao momento, não existe uma definição unívoca no mundo da ciência e da tecnologia. A própria designação, que já entrou na linguagem comum, abrange uma variedade de ciências, teorias e técnicas destinadas a fazer com que as máquinas, no seu funcionamento, reproduzam ou imitem as capacidades cognitivas dos seres humanos. Falar de «formas de inteligência», no plural, pode ajudar sobretudo a assinalar o fosso intransponível existente entre estes sistemas, por mais surpreendentes e poderosos que sejam, e a pessoa humana: em última análise, aqueles são «fragmentários» já que têm possibilidades de imitar ou reproduzir apenas algumas funções da inteligência humana. Além disso o uso do plural destaca que tais dispositivos, muito diferentes entre si, devem ser sempre considerados como «sistemas sociotécnicos». Com efeito o seu impacto, independentemente da tecnologia de base, depende não só da projetação, mas também dos objetivos e interesses de quem os possui e de quem os desenvolve, bem como das situações em que são utilizados.

Por conseguinte a inteligência artificial deve ser entendida como uma galáxia de realidades diversas e não podemos presumir a priori que o seu desenvolvimento traga um contributo benéfico para o futuro da humanidade e para a paz entre os povos. O resultado positivo só será possível se nos demonstrarmos capazes de agir de maneira responsável e respeitar valores humanos fundamentais como «a inclusão, a transparência, a segurança, a equidade, a privacidade e a fiabilidade». [5]

E não é suficiente presumir, por parte de quem projeta algoritmos e tecnologias digitais, um empenho por agir de modo ético e responsável. É preciso reforçar ou, se necessário, instituir organismos encarregados de examinar as questões éticas emergentes e tutelar os direitos de quantos utilizam formas de inteligência artificial ou são influenciados por ela. [6]

Assim, a imensa expansão da tecnologia deve ser acompanhada por uma adequada formação da responsabilidade pelo seu desenvolvimento. A liberdade e a convivência pacífica ficam ameaçadas, quando os seres humanos cedem à tentação do egoísmo, do interesse próprio, da ânsia de lucro e da sede de poder. Por isso temos o dever de alargar o olhar e orientar a pesquisa técnico-científica para a prossecução da paz e do bem comum, ao serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade. [7]

A dignidade intrínseca de cada pessoa e a fraternidade que nos une como membros da única família humana devem estar na base do desenvolvimento de novas tecnologias e servir como critérios indiscutíveis para as avaliar antes da sua utilização, para que o progresso digital possa verificar-se no respeito pela justiça e contribuir para a causa da paz. Os avanços tecnológicos que não conduzem a uma melhoria da qualidade de vida da humanidade inteira, antes pelo contrário agravam as desigualdades e os conflitos, nunca poderão ser considerados um verdadeiro progresso. [8]

A inteligência artificial tornar-se-á cada vez mais importante. Os desafios que coloca não são apenas de ordem técnica, mas também antropológica, educacional, social e política. Deixa esperar, por exemplo, poupança de esforços, produção mais eficiente, transportes mais fáceis e mercados mais dinâmicos, bem como uma revolução nos processos de recolha, organização e verificação de dados. Precisamos de estar conscientes das rápidas transformações em curso e geri-las de forma a salvaguardar os direitos humanos fundamentais, respeitando as instituições e as leis que promovem o progresso humano integral. A inteligência artificial deveria estar ao serviço dum melhor potencial humano e das nossas mais altas aspirações, e não em competição com eles.

3. A tecnologia do futuro: máquinas que aprendem sozinhas

Nas suas múltiplas formas, a inteligência artificial, baseada em técnicas de aprendizagem automática (machine learning), embora ainda numa fase pioneira, já está a introduzir mudanças notáveis no tecido das sociedades, exercendo uma influência profunda nas culturas, nos comportamentos sociais e na construção da paz.

Desenvolvimentos como a aprendizagem automática (machine learning) ou a aprendizagem profunda (deep learning) levantam questões que transcendem os âmbitos da tecnologia e da engenharia e têm a ver com uma compreensão intimamente ligada ao significado da vida humana, aos processos basilares do conhecimento e à capacidade que tem a mente de alcançar a verdade.

A capacidade de alguns dispositivos produzirem textos sintática e semanticamente coerentes, por exemplo, não é garantia de fiabilidade. Diz-se que podem «alucinar», isto é, gerar afirmações que à primeira vista parecem plausíveis, mas na realidade são infundadas ou preconceituosas. Isto coloca um sério problema quando a inteligência artificial é utilizada em campanhas de desinformação que espalham notícias falsas e levam a uma desconfiança crescente relativamente aos meios de comunicação. A confidencialidade, a posse dos dados e a propriedade intelectual são outros âmbitos em que as tecnologias em questão comportam graves riscos, aos quais se vêm juntar outras consequências negativas ligadas a um uso indevido, como a discriminação, a interferência nos processos eleitorais, a formação duma sociedade que vigia e controla as pessoas, a exclusão digital e a exacerbação dum individualismo cada vez mais desligado da coletividade. Todos estes fatores correm o risco de alimentar os conflitos e obstaculizar a paz.

4. O sentido do limite, no paradigma tecnocrático

O nosso mundo é demasiado vasto, variado e complexo para ser completamente conhecido e classificado. A mente humana nunca poderá esgotar a sua riqueza, nem sequer com a ajuda dos algoritmos mais avançados. De facto, estes não oferecem previsões garantidas do futuro, mas apenas aproximações estatísticas. Nem tudo pode ser previsto, nem tudo pode ser calculado; no fim de contas, «a realidade é superior à ideia» [9] e, por mais prodigiosa que seja a nossa capacidade de calcular, haverá sempre um resíduo inacessível que escapa a qualquer tentativa de quantificação.

Além disso, a grande quantidade de dados analisados pelas inteligências artificiais não é, por si só, garantia de imparcialidade. Quando os algoritmos extrapolam informações, correm sempre o risco de as distorcer, replicando as injustiças e os preconceitos dos ambientes onde têm origem. Quanto mais rápidos e complexos eles se tornam, mais difícil é compreender por que produziram um determinado resultado.

As máquinas inteligentes podem desempenhar as tarefas que lhes são atribuídas com uma eficiência cada vez maior, mas a finalidade e o significado das suas operações continuarão a ser determinados ou capacitados por seres humanos com o seu próprio universo de valores. O risco é que os critérios subjacentes a certas escolhas se tornem menos claros, que a responsabilidade de decisão seja ocultada e que os produtores possam subtrair-se à obrigação de agir para o bem da comunidade. Em certo sentido, isto é favorecido pelo sistema tecnocrático, que alia a economia à tecnologia e privilegia o critério da eficiência, tendendo a ignorar tudo o que não esteja ligado aos seus interesses imediatos. [10]

Isto deve fazer-nos refletir sobre um aspeto transcurado frequentemente na atual mentalidade tecnocrática e eficientista, mas decisivo para o desenvolvimento pessoal e social: o «sentido do limite». Com efeito o ser humano, mortal por definição, pensando em ultrapassar todo o limite mediante a técnica, corre o risco, na obsessão de querer controlar tudo, de perder o controle sobre si mesmo; na busca duma liberdade absoluta, de cair na espiral duma ditadura tecnológica. Reconhecer e aceitar o próprio limite de criatura é condição indispensável para que o homem alcance ou, melhor, acolha a plenitude como uma dádiva; ao passo que, no contexto ideológico dum paradigma tecnocrático animado por uma prometeica presunção de autossuficiência, as desigualdades poderiam crescer sem medida, e o conhecimento e a riqueza acumular-se nas mãos de poucos, com graves riscos para as sociedades democráticas e uma coexistência pacífica. [11]

5. Temas quentes para a ética

No futuro, a fiabilidade de quem solicita um mútuo, a idoneidade dum indivíduo para determinado emprego, a possibilidade de reincidência dum condenado ou o direito a receber asilo político ou assistência social poderão ser determinados por sistemas de inteligência artificial. A falta de níveis diversificados de mediação que tais sistemas introduzem está particularmente exposta a formas de preconceito e discriminação: os erros do sistema podem multiplicar-se facilmente, gerando não só injustiças em casos individuais, mas também, por efeito dominó, verdadeiras formas de desigualdade social.

Além disso, por vezes, as formas de inteligência artificial parecem capazes de influenciar as decisões dos indivíduos através de opções predeterminadas associadas a estímulos e dissuasões, ou então através de sistemas de regulação das opções pessoais baseados na organização das informações. Estas formas de manipulação ou controle social requerem atenção e vigilância cuidadosas, implicando uma clara responsabilidade legal por parte dos produtores, de quem os contrata e das autoridades governamentais.

O ato de se confiar a processos automáticos que dispõem os indivíduos por categorias, por exemplo, através dum uso invasivo da vigilância ou da adoção de sistemas de crédito social, poderia ter repercussões profundas também no tecido civil, estabelecendo classificações inadequadas entre os cidadãos. E estes processos artificiais de classificação poderiam levar também a conflitos de poder, envolvendo não apenas destinatários virtuais, mas também pessoas de carne e osso. O respeito fundamental pela dignidade humana requer a rejeição de que a unicidade da pessoa seja identificada com um conjunto de dados. Não se deve permitir que os algoritmos determinem o modo como entendemos os direitos humanos, ponham de lado os valores essenciais da compaixão, da misericórdia e do perdão, ou eliminem a possibilidade de um indivíduo mudar e deixar para trás o passado.

Neste contexto, não podemos deixar de considerar o impacto das novas tecnologias no âmbito laboral: trabalhos, que outrora eram prerrogativa exclusiva da mão-de-obra humana, acabam rapidamente absorvidos pelas aplicações industriais da inteligência artificial. Também neste caso, há substancialmente o risco duma vantagem desproporcionada para poucos à custa do empobrecimento de muitos.  A Comunidade Internacional, ao ver como tais formas de tecnologia penetram cada vez mais profundamente nos locais de trabalho, deveria considerar como alta prioridade o respeito pela dignidade dos trabalhadores e a importância do emprego para o bem-estar económico das pessoas, das famílias e das sociedades, a estabilidade dos empregos e a equidade dos salários.

6. Transformaremos as espadas em relhas de arado?

Nestes dias, contemplando o mundo que nos rodeia, não se pode ignorar as graves questões éticas relacionadas com o setor dos armamentos. A possibilidade de efetuar operações militares através de sistemas de controle remoto levou a uma perceção menor da devastação por eles causada e da responsabilidade da sua utilização, contribuindo para uma abordagem ainda mais fria e destacada da imensa tragédia da guerra. A pesquisa sobre as tecnologias emergentes no setor dos chamados «sistemas de armas letais autónomas», incluindo a utilização bélica da inteligência artificial, é um grave motivo de preocupação ética. Os sistemas de armas autónomos nunca poderão ser sujeitos moralmente responsáveis: a exclusiva capacidade humana de julgamento moral e de decisão ética é mais do que um conjunto complexo de algoritmos, e tal capacidade não pode ser reduzida à programação duma máquina que, por mais «inteligente» que seja, permanece sempre uma máquina. Por esta razão, é imperioso garantir uma supervisão humana adequada, significativa e coerente dos sistemas de armas.

Também não podemos ignorar a possibilidade de armas sofisticadas caírem em mãos erradas, facilitando, por exemplo, ataques terroristas ou intervenções visando desestabilizar instituições legítimas de Governo. Em resumo, o mundo não precisa realmente que as novas tecnologias contribuam para o iníquo desenvolvimento do mercado e do comércio das armas, promovendo a loucura da guerra. Ao fazê-lo, não só a inteligência, mas também o próprio coração do homem, correrá o risco de se tornar cada vez mais «artificial». As aplicações técnicas mais avançadas não devem ser utilizadas para facilitar a resolução violenta dos conflitos, mas para pavimentar os caminhos da paz.

Numa ótica mais positiva, se a inteligência artificial fosse utilizada para promover o desenvolvimento humano integral, poderia introduzir inovações importantes na agricultura, na instrução e na cultura, uma melhoria do nível de vida de inteiras nações e povos, o crescimento da fraternidade humana e da amizade social. Em última análise, a forma como a utilizamos para incluir os últimos, isto é, os irmãos e irmãs mais frágeis e necessitados, é a medida reveladora da nossa humanidade.

Um olhar humano e o desejo dum futuro melhor para o nosso mundo levam à necessidade dum diálogo interdisciplinar voltado para um desenvolvimento ético dos algoritmos – a algor-etica -, em que sejam os valores a orientar os percursos das novas tecnologias. [12] As questões éticas deveriam ser tidas em consideração desde o início da pesquisa, bem como nas fases de experimentação, projetação, produção, distribuição e comercialização. Esta é a abordagem da ética da projetação, na qual as instituições educativas e os responsáveis pelo processo de decisão têm um papel essencial a desempenhar.

7. Desafios para a educação

O desenvolvimento duma tecnologia que respeite e sirva a dignidade humana tem implicações claras para as instituições educativas e para o mundo da cultura. Ao multiplicar as possibilidades de comunicação, as tecnologias digitais permitiram encontrar-se de novas formas. Todavia continua a ser necessária uma reflexão contínua sobre o tipo de relações para onde nos estão encaminhando. Os jovens estão a crescer em ambientes culturais impregnados de tecnologia, o que não pode deixar de pôr em causa os métodos de ensino e formação.

A educação para o uso de formas de inteligência artificial deveria visar sobretudo a promoção do pensamento crítico. É necessário que os utentes das várias idades, mas principalmente os jovens, desenvolvam uma capacidade de discernimento no uso de dados e conteúdos recolhidos na web ou produzidos por sistemas de inteligência artificial. As escolas, as universidades e as sociedades científicas são chamadas a ajudar os estudantes e profissionais a assumir os aspetos sociais e éticos do progresso e da utilização da tecnologia.

A formação no uso dos novos instrumentos de comunicação deveria ter em conta não só a desinformação, as notícias falsas, mas também a recrudescência preocupante de «medos ancestrais (…) que souberam esconder-se e revigorar-se por detrás das novas tecnologias». [13] Infelizmente, encontramo-nos mais uma vez a combater «a tentação de fazer uma cultura dos muros, de erguer os muros (…), para impedir este encontro com outras culturas, com outras pessoas» [14] e o desenvolvimento duma coexistência pacífica e fraterna.

8. Desafios para o desenvolvimento do direito internacional

O alcance global da inteligência artificial deixa claro que, juntamente com a responsabilidade dos Estados soberanos de regular a sua utilização internamente, as Organizações Internacionais podem desempenhar um papel decisivo na obtenção de acordos multilaterais e na coordenação da sua aplicação e implementação. [15] A este respeito, exorto a Comunidade das Nações a trabalhar unida para adotar um tratado internacional vinculativo, que regule o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial nas suas variadas formas. Naturalmente o objetivo da regulamentação não deveria ser apenas a prevenção de más aplicações, mas também o incentivo às boas aplicações, estimulando abordagens novas e criativas e facilitando iniciativas pessoais e coletivas. [16]

Em última análise, na busca de modelos normativos que possam fornecer uma orientação ética aos criadores de tecnologias digitais, é indispensável identificar os valores humanos que deveriam estar na base dos esforços das sociedades para formular, adotar e aplicar os quadros legislativos necessários. O trabalho de elaboração de diretrizes éticas para a produção de formas de inteligência artificial não pode prescindir da consideração de questões mais profundas relativas ao significado da existência humana, à proteção dos direitos humanos fundamentais, à busca da justiça e da paz. Este processo de discernimento ético e jurídico pode revelar-se preciosa ocasião para uma reflexão compartilhada sobre o papel que a tecnologia deveria ter na nossa vida individual e comunitária e sobre a forma como a sua utilização possa contribuir para a criação dum mundo mais equitativo e humano. Por este motivo, nos debates sobre a regulamentação da inteligência artificial, dever-se-ia ter em conta as vozes de todas as partes interessadas, incluindo os pobres, os marginalizados e outros que muitas vezes permanecem ignorados nos processos de decisão globais.

* * *

Espero que esta reflexão encoraje a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, em última análise, a causa da fraternidade humana e da paz. Não é responsabilidade de poucos, mas da família humana inteira. De facto, a paz é fruto de relações que reconhecem e acolhem o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

No início do novo ano, a minha oração é que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as já demasiadas desigualdades e injustiças presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana. Possam os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborar harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico.

Vaticano, 8 de dezembro de 2023.

Francisco

 


[1]N. 33.

[2] Ibid., 57.

[3]Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24/V/2015), 104.

[4]Cf. ibid., 114.

[5]Francisco,  Discurso aos participantes no Encontro dos «Minerva Dialogues» (27/III/2023).

[6]Cf. ibid.

[7]Cf. Francisco, Mensagem ao Presidente Executivo do «World Economic Forum» em Davos-Klosters (12/I/2018).

[8]Cf. Carta enc. Laudato si’, 194; Francisco,  Discurso aos participantes no Seminário «O bem comum na era digital» (27/IX/2019).

[9]Francisco,Exort. ap. Evangelii gaudium (24/XI/2013), 233.

[10]Cf. Carta enc. Laudato si’, 54.

[11]Cf. Francisco, Discurso aos participantes na Plenária da Pontifícia Academia em prol da Vida (28/II/2020).

[12]Cf. ibid.

[13]Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (03/X/2020), 27.

[14]Cf. ibid.

[15]Cf. ibid., 170-175.

[16]Cf. Carta enc. Laudato si’, 177.

30 Nov 2023

Jovens da Arquidiocese de Évora participam em Encontro com o Papa

O Departamento da Pastoral Juvenil de Évora esteve neste dia 30 de novembro em Roma, onde participou num encontro com o Papa Francisco.

A Arquidiocese de Évora esteve representada pelo Departamento da, Pastoral Juvenil, contando com a presença da Sara Conde, Lusitana Cambulo, Alexandre Martins e pelo Padre Tiago Carlos (na foto).

Segundo notícia da Agência ECCLESIA, o Papa recebeu no Vaticano uma delegação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, a quem agradeceu pelo esforços que permitiram fazer deste encontro “um núcleo de evangelização forte, de alegria e de expressão juvenil”.

“Trouxe do encontro de Lisboa uma emoção muito grande e lembro, também, as pessoas simples”, disse Francisco, falando de forma espontânea com os participantes.

A audiência contou com a presença de centenas de pessoas, entre voluntários, parceiros empresariais e responsáveis da Igreja e das entidades públicas envolvidas na organização da JMJ 223.

O Papa disse ter ainda, consigo, o rosário que lhe foi oferecido por uma senhora de 106 anos, Maria da Conceição Brito Mendonça, nascida no dia das Aparições de Fátima, a 13 de maio de 1917, e recordou o encontro com Edna Rodrigues, jovem com uma doença terminal que “tinha oferecido à vida pelas jornadas, pensando que ia morrer antes”.

Francisco evocou ainda os filhos de uma peregrina que francesa que faleceu durante a sua estadia na capital portuguesa.

O Papa prestou homenagem ao trabalho de muitas pessoas e agradeceu particularmente ao presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, D. Américo Aguiar, um “cardeal especial, um pouco enfant terrible, mas muito bom”.

“Recordo tanta gente simples, tanta. Também me lembro dos pastéis, são muito bons”, acrescentou provocando as gargalhadas da assembleia.

Francisco explicou, depois, que devido aos problemas de saúde que o afetam, desde sábado, não podia “falar muito”.

A sala de imprensa da Santa Sé referiu, esta quarta-feira, que o quadro clínico do Papa é “estável”.

“Não tem febre, mas persiste a inflamação pulmonar associada a dificuldades respiratórias. A terapia com antibióticos continua”, pode ler-se.

O texto preparado pelo Papa, para a audiência desta manhã, foi lido por monsenhor Ferreira da Costa, sacerdote português que trabalha na Secretaria de Estado do Vaticano.

“Começo por vos renovar a minha gratidão e a da Igreja inteira, concretamente dos jovens. Foi-vos confiada a realização daquele encontro mundial. E vós, fortes, com o auxílio de muitos e uma graça extraordinária de Deus, não nos desiludistes”, refere o documento.

O Papa considera que a JMJ Lisboa 2023 conseguiu “trazer para o centro quem até agora tinha vivido marginalizado”, convidando a manter o compromisso neste “grande sonho comum”.

“Continuai a sonhar juntos. Continuai a envolver, em ondas sucessivas, novos companheiros sonhadores de uma sociedade feita por todos e no respeito de cada um. Vou repetindo e fico contente ao ver que muitos já me fazem eco: todos, todos, todos”, apelou.

Francisco apontou, como prioridade, “trazer de volta e sentar à mesa comum quem ficou para trás”.

“Meus amigos, não deixeis que nada se perca daquela JMJ que nasceu, cresceu, floriu e frutificou nas vossas mãos, extasiadas com a abundante multiplicação de pedaços de céu feitos gente que brotavam de todo o lado e até mesmo de onde não se esperava”, refere o texto.

Obrigado a todos e a todas. Deus vos pague o bem que fizestes aos jovens e a mim, a cidade, a Lisboa e a quantos de todo o mundo para lá dirigiram os seus passos e o seu coração. Por favor, continuai a apontar e a impelir-nos para as dimensões universais do Coração de Deus”.

O programa da visita da delegação da JMJ 2023 iniciou-se com a celebração de uma missa na Igreja de Santo António dos Portugueses, atribuída ao cardeal D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa.

Termina com idêntica celebração, na Igreja de Santo António de Pádua, em Roma, a igreja que foi concedida a D. Américo Aguiar pelo Papa Francisco, na altura da sua criação como cardeal, em setembro.

A JMJ 2023 decorreu de 1 a 6 de agosto, em Lisboa, com mais de 1,5 milhões de participantes nas celebrações conclusivas, presididas pelo Papa no Parque Tejo.

 

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Mensagem do Director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Nuno Camelo:

“Num movimento de agradecimento e louvor, a comitiva portuguesa foi recebida em audiência pelo Papa Francisco. O motivo deste encontro, desde agradecimento, desta festa em Roma, no Palácio Apostólico, no coração da Igreja de hoje, centrou-se na experiência que Portugal foi capaz de oferecer ao mundo com o acolhimento, realização e vivência da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023. Francisco, na sua simples maneira de nos olhar, realçou, em palavras e silêncios o que ele próprio havia experimentado e sentido enquanto Peregrino. O sucesso da JMJ LISBOA 2023 residiu em cada um dos que, com a sua entrega e dedicação, tornaram possível cada hora, cada dia, cada momento de encontro com Cristo. A Jornada foi e é um início, um momento de concertar as suas redes, de salvar vidas com essas redes, radicada nessa coragem de fazer de novo, de fazer diferente. O futuro? É o tempo que agora vivemos, o nosso tempo, o tempo da Juventude que reforça a Igreja e da Igreja que se revê numa Juventude contagiante.”